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Príncipe Harry vai servir como militar no Iraque

Ana Maria Echeverría
da France-Presse

O próprio Harry insistiu na ida para o Iraque. Mas pode criar um problema de segurança militar, como alvo em potencial de captura por rebeldes


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23/02/2007 01:35

HARRY em dois tempos: treinando na ilha do Chipre (e) e na formatura na Academia Militar de Sandhurst (d) (Fotos: Ministry of Defence/AFP e Carl de Souza/AFP)
HARRY em dois tempos: treinando na ilha do Chipre (e) e na formatura na Academia Militar de Sandhurst (d) (Fotos: Ministry of Defence/AFP e Carl de Souza/AFP)

O príncipe Harry, terceiro na linha de sucessão do trono britânico, irá ao Iraque na condição de militar, segundo confirmou ontem, em Londres, o Ministério da Defesa, um dia depois que o primeiro-ministro Tony Blair comunicou o início da retirada das tropas do país, do território iraquiano. Harry, de 22 anos, que é segundo-tenente, partirá entre maio e junho deste ano para o Iraque com seu regimento, The Blues and Royals of the Household Cavalry (elite do exército britânico que servia em outras épocas para escoltar o soberano).

O segundo filho de Charles, herdeiro do trono britânico, e da falecida princesa Diana, se tornará o primeiro membro da família real a servir numa zona de conflito desde que, em 1982, na Guerra da Malvinas contra a Argentina, o tio de Harry, o príncipe Andrew, segundo filho homem da rainha Elizabeth II, esteve destacado como piloto de helicóptero do porta-aviões Invincible.

Uma fonte de seu regimento informou que Harry está "louco de felicidade" de ir para o Iraque com seus companheiros. No entanto, o envio do príncipe ao Golfo Pérsico supõe um problema de segurança, segundo os especialistas, que ressaltam que o Ministério da Defesa se preocupa com a possibilidade de Harry se tornar um alvo-troféu dos insurgentes, colocando em risco tanto o jovem quanto suas tropas.

Antes mesmo de se graduar, em 12 de abril de 2006, como oficial na Real Academia Militar de Sandhurst, a sudoeste de Londres, Harry deixou claro que gostaria de servir numa zona de guerra. "Não terei ido a Sandhurst para ficar em casa sentado enquanto meus companheiros estão lutando por seu país", disse então. Segundo a imprensa, o príncipe teria, inclusive, ameaçado seus superiores militares de deixar o Exército se não permitissem que participasse da primeira linha de fogo.

Harry, que até agora tem ocupado as primeiras páginas dos jornais sensacionalistas com fotos de sua vida privada, como saindo de uma boate, arrancando a câmera de um fotógrafo, beijando uma jovem ou disfarçado de oficial nazista, participou em janeiro do Operational Training And Advisory Group (Optag), um treinamento destinado unicamente aos militares que servirão no Iraque. O príncipe partirá para o Iraque com seu regimento como parte de um rodízio de tropas "planejado há algum tempo", segundo o Ministério da Defesa.

Além do treinamento para militares que seguirão para o Iraque, o príncipe recebeu um adestramento de duas semanas na guarnição britânica de Episkopi, no Sudeste do Chipre, onde teve de superar provas de resistência e demonstrar sua capacidade de tomar boas decisões em momentos de combate.

Harry, ao lado de seu irmão mais velho William, figura também entre os cadetes que receberam treinamento antitortura. Essa formação, que tem como objetivo ajudar os oficiais a superarem impulsos que os levam a maltratar os prisioneiros e se vingar neles pelos atos dos inimigos, foi introduzida em Sandhurst pelo capelão batista da instituição, o padre Jonathan Woodhouse.

Mais de vinte militares britânicos foram acusados de práticas de maus-tratos durante o período em que estiveram no Iraque, onde a Grã-Bretanha possui 7.100 pessoas, os quais serão reduzidos a 5.500 nos próximos meses.



SAIBA MAIS

* Harry será o primeiro da família real enviado a conflito desde a Guerra das Malvinas. Henry Charles Albert David Windsor, 22, é o terceiro na linha de sucessão ao trono britânico, depois do pai, Charles, 58, e do irmão, William, 24

* Charles foi um aluno apenas regular na escola e tirou D em geografia em seus exames finais

* Estudou no tradicionalíssimo Eton, colégio da elite britânica, e lá fez parte do corpo de cadetes da escola, o que é considerado um trampolim para as Forças Armadas

* Observadores da realeza dizem que Harry, à época com 13 anos, foi quem mais sofreu com a morte da mãe, Diana, em 1997

* Nos anos seguintes, foi apelidado de "príncipe selvagem" pelos tablóides britânicos, depois de flagrado experimentando bebidas alcóolicas e drogas leves

* Em 2005, causou indignação ao aparecer fantasiado de nazista numa festa; desculpou-se, dizendo ter feito uma "coisa muito idiota"

* Em 2006, lançou uma instituição de caridade para ajudar crianças cujos pais morreram de Aids em Lesoto, na África

* Cursou a academia militar de Sandhrust e se graduou como oficial do Exército em abril de 2006, tornando-se membro da cavalaria de elite, a Household


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