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Iraque registra 2º atentado mais mortal desde 2003

A explosão de um caminhão-bomba perto de um mercado de Bagdá deixou, no sábado, mais de 130 mortos. Em novembro de 2006, um atentado resultou em 202 mortes

Thibauld Malterre
da France-Presse

05 Fev 2007 - 01h59min

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IRAQUIANOS conferem destruição provocada por explosão em um mercado de Bagdá, que resultou em mais de 130 mortes(Foto: ALI AL-SAADI/AFP)
Um dia depois do segundo atentado mais mortal desde 2003, que matou no último sábado mais de 130 pessoas, feriu 350 e suscitou comoção da comunidade internacional, Bagdá voltou a ser palco da violência ontem, com uma série de ataques que resultaram na morte de pelo menos 15 pessoas em Bagdá.

Um carro-bomba estacionado na margem da estrada explodiu na passagem de um microônibus em Bab al-Moazzam (norte), matando quatro passageiros e ferindo outros sete, segundo fontes dos serviços de segurança, segundo os quais o balanço de vítimas ainda não é definitivo. Dois funcionários do Ministério de Assuntos Sociais morreram e outros três ficaram feridos quando o ônibus em que viajavam foi atingido por disparos feitos por um grupo de homens armados, no leste de Bagdá, informou a polícia.

Pouco antes, quatro policiais morreram e outros quatro ficaram feridos na explosão de uma bomba na passagem de uma patrulha da polícia em Kesra, leste de Bagdá. Uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas na explosão de uma bomba perto da embaixada do Irã, no centro da capital, onde dois funcionários da empresa de telefonia móvel Athir também morreram quando seu veículo foi atingido por tiros.

Mais de 130 pessoas morreram no sábado, 3, na explosão de um caminhão-bomba perto de um mercado de Bagdá, no segundo atentado mais sangrento no Iraque desde a invasão do país, em março de 2003. O grão-aiatolá Ali Sistani, a maior autoridade religiosa xiita no Iraque, anunciou que assumirá as despesas de hospitalização dos feridos, "como já fez no passado, particularmente no atentado em Sadr City", que deixou 202 mortos em 23 de novembro de 2006.

A comunidade internacional, por sua vez, reagiu com indignação ao novo massacre. A presidência da União Européia (UE), ocupada temporariamente pela Alemanha, se declarou "profundamente comovida", enquanto os Estados Unidos enfatizaram que "uma nova atrocidade atingiu em Bagdá a gente inocente do Iraque". A chanceler Angela Merkel, que se encontra de visita no Oriente Médio, acompanha de perto a situação.

Os moradores do bairro de Bagdá atingido, de maioria xiita, se perguntavam sobre as causas do atentado. "É uma tragédia. Por que nos atacar uma vez mais, só porque somos xiitas? Morreram famílias inocentes. O que o governo faz, onde estão os americanos, quando vai começar o plano de segurança?", perguntava um jovem no local onde ocorreu a explosão. As autoridades iraquianas e o exército americano devem aplicar em poucas semanas um novo plano para a segurança em Bagdá, cenário recorrente de violência sectária. Mais de 50.000 soldados e policiais iraquianos, bem como 35.000 militares americanos, devem participar desta operação.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, qualificou o atentado de sábado de "crime ignóbil", que atribuiu aos "saddamistas (partidários do ex-ditador Saddam Hussein, enforcado em 30 de dezembro de 2006) e 'tafkiris' (extremistas sunitas)".


CONHECENDO O PAÍS

Devastado por três guerras em pouco mais de duas décadas e por um prolongado embargo econômico, o Iraque é um país ocupado por tropas estrangeiras. Apesar de existir um governo formalmente eleito e uma Constituição, aprovada em 2005, o poder político real sustenta-se com base nas forças militares dos Estados Unidos (EUA) e do Reino Unido, que derrubaram o regime de Saddam Hussein em 2003.

Os EUA mantêm no país cerca de 140 mil soldados. A eles somam 15 mil militares de outras nações, entre os quais o maior contingente é de britânicos.
As exportações de petróleo, a principal riqueza iraquiana, são controladas pelos EUA, que usam a receita para custear parcialmente as despesas de reconstrução. O controle das forças de ocupação e do governo sobre a vida nacional é precário. Há resistência de guerrilhas e uma situação marcada por atentados terroristas, seqüestros de estrangeiros e luta entre facções.

A maior parte do território fica nos vales dos rios Tigre e Eufrates, os principais do Oriente Médio. Na Antiguidade, a região era chamada de Mesopotâmia - "entre rios" em grego. O Iraque guarda um dos mais ricos patrimônios arqueológicos do mundo.

DADOS GERAIS
Área: 434.128 km2
População: 29.6 milhões (2006)
Hora local: +6h
Clima: tropical árido
Capital: Bagdá
Principais cidades: Bagdá (5.620.000). Mosul (1.200.000), Basra (1.100.000) (aglomerações urbanas) (2003), Irbil (485.968), Kirkuk (418.624) (1987)
Composição: árabes iraquianos 80%, curdos 15%, turcomanos, sabeus, iezites e marches 5% (1996)
Idiomas: árabe (oficial), curdo
Religião: islamismo 96.5%, outras 2,9% sem religião e ateísmo 0,7%
Governo:
País sob ocupação militar estrangeira. A Constituição de 2005 define o Iraque como república parlamentarista. Divisão administrativa: 18 governadorias (incluindo 3 regiões autônomas) Presidente: Jalal Talabani (União Patriótica do Curdistão) (desde 2005, reeleito em 2006) Primeiro-ministro: Nuri al-Maliki (Partido Islâmico Dawa) (desde 2006)
Moeda: dinar iraquiano; cotação para US$ 1480,00 (set./2006)
PIB: US$ 12.6 bilhões (2004)
Força de trabalho: 6,7 milhões (1999)

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