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Prisão de Guantánamo completa cinco anos

Encontram-se hoje em Guantánamo 460 prisioneiros de 40 nacionalidades, suspeitos pelos EUA de terrorismo. Só 10 foram acusados e nenhum julgado. Os maus-tratos são confirmados pelo FBI e médicos participam dos interrogatórios. O fechamento da prisão é exigido na Dinamarca


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06/01/2007 14:33

PRISIONEIRO acorrentado em Guantánamo é escoltados por militares dos EUA (Foto: Paul J. Richards/AFP)
PRISIONEIRO acorrentado em Guantánamo é escoltados por militares dos EUA (Foto: Paul J. Richards/AFP)


A base naval de Guantánamo, que se estende sobre 49 quilômetros quadrados de terra cubana cedida pelo governo de Havana aos Estados Unidos em 1903, no extremo Sudeste da ilha, conta desde 11 janeiro de 2002 com uma carceragem para os prisioneiros da guerra contra o terrorismo. No total, cerca de 760 capturados passaram pela base. As imagens de homens vestidos com uniforme laranja, encapuzados, algemados e em jaulas, onde permaneceram detidos vários meses antes da construção do campo, deram volta ao mundo.

Apesar de o maior número de detidos ser originário da Arábia Saudita, Afeganistão ou Iêmen, no total, cerca de 40 nacionalidades estão representadas. Desde as da Europa às da Ásia Central, passando pelo Oriente Médio, Chade ou ilhas Maldivas. Vários deles eram adolescentes quando foram para o campo.

Centenas de detidos foram enviados de volta a seus países, a maioria libertada sem acusações. Dos 460 detentos que ainda estão na base, apenas 10 foram acusados formalmente e nenhum julgado. O Exército norte-americano, que sustenta que os presos são terroristas, admite que cerca de 10% deles sofrem problemas mentais graves e que muitos outros são tratados com antidepressivos.

Isso não conseguiu impedir dezenas de tentativas de suicídios e mortes. Os que são libertados contam que foram agredidos, torturados e desacatados. Os movimentos em massa de greves de fome não fizeram mais que pôr em prática uma política de alimentação forçada, particularmente dolorosa e humilhante.

Novos documentos publicados pelo Bureau Federal de Investigações (FBI) mostraram um norte-americano encarregado de interrogar um prisioneiro em Guantánamo agachado sobre o Alcorão, outro cobrindo o rosto de um prisioneiro com fita adesiva e um terceiro ainda se vangloriando de ter batizado um detento.

Em 2004, o FBI enviou um questionário a cerca de 500 agentes enviados à base norte-americana desde 2001, para saber se eles tinham testemunhado maus-tratos infligidos aos prisioneiros: 26 responderam sim e esses documentos, classificados como confidenciais, foram publicados terça-feira passada depois de um procedimento judicial.

Vários agentes também narraram ter visto prisioneiros algemados no chão, às vezes por mais de 24 horas, e com música do tipo rap no máximo volume, a temperaturas extremas. Um prisioneiro foi encontrado quase inconsciente num quarto a quase 40°C de temperatura, com um monte de cabelos do lado, que provavelmente ele arrancou de desespero durante a noite.

Guantánamo desperta, também, mal-estar no corpo médico norte-americano. A principal associação profissional da categoria chegou a pedir a seu comitê de ética examinar se a participação de psiquiatras nas técnicas de interrogatório no centro de detenção viola o juramento de Hipócrates.

Um artigo publicado em junho na revista médica New England Journal of Medecine afirma que médicos e especialistas em ciência do comportamento violaram a ética participando nos interrogatórios de prisioneiros em Guantánamo.

A Associação Psiquiátrica Americana (APA) chegou a exprimir, também, "consternação com as acusações de violação da ética médica por parte de psiquiatras em Guantánamo". O Centro de Reabilitação das Vítimas de Tortura (RCT) dinamarquês, que desempenha neste âmbito um papel de pioneiro, pediu a seu governo, um fiel aliado dos EUA, que exija o fechamento da carceragem de Guantánamo. Fundado em 1982, em Copenhague, o RCT é o primeiro centro de reabilitação das vítimas de tortura criado no mundo. (das agências de notícias)

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