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Meio-irmão de Saddam deve ser enforcado hoje

Barzan al-Tikriti, meio-irmão de Saddam, e Awad al-Bandar serão executados depois da festa muçulmana de Aid al-Adha, que terminou ontem. Como Saddam, eles foram acusados por um massacre de 148 xiitas em 1983


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04/01/2007 00:57

JORDANIANA pranteava imagem de Saddam, em Amã, onde houve protesto (Foto: Khalil Mazraawi/AFP)
JORDANIANA pranteava imagem de Saddam, em Amã, onde houve protesto (Foto: Khalil Mazraawi/AFP)

Os dois co-acusados junto ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, seu meio-irmão e ex-chefe do serviço de inteligência, Barzan al-Tikriti, e o ex-presidente do tribunal revolucionário, Awad al-Bandar, serão enforcados hoje. Um funcionário do gabinete do primeiro-ministro Nuri al-Maliki declarou ontem, em Bagdá, que os papéis já foram assinados para o enforcamento pela manhã.

Os dois homens serão executados depois da festa muçulmana de Aid al-Adha que terminou na noite de ontem para os xiitas no Iraque. Al-Tikriti e Al-Bandar foram condenados em 5 de novembro de 2006, junto a Saddam Hussein, à pena capital por sua responsabilidade na execução de 148 xiitas de Dujail, ao norte de Bagdá, em 1983, como represália a uma tentativa de atentado contra a comitiva presidencial.

Tal como aconteceu no caso de Saddam, o recurso que ambos apresentaram foi rejeitado pela Justiça iraquiana em 26 de dezembro. As autoridades iraquianas executaram Saddam no sábado, 30 de dezembro passado.

O novo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apoiou o apelo da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louise Arbour, contra a execução de Al-Tikriti e Al-Bandar, segundo informou a porta-voz MichÕle Montas. No entanto, esta posição não representa uma condenação à pena de morte pelo novo líder da ONU, que não criticou o enforcamento de Saddam Hussein. Louise pediu ontem às autoridades iraquianas que não executem os dois, alegando irregularidades durante seu julgamento.

As autoridades iraquianas prenderam um segurança como parte da investigação sobre o vídeo pirata da execução de Saddam, que está prestes a se transformar numa questão de Estado e coloca em dificuldades Al-Maliki. Um dos guardas que assistiu ao enforcamento foi preso em decorrência da investigação sobre a identidade do autor do vídeo pirata.

Algumas horas depois da execução, a TV pública Iraqia divulgou uma seqüência de cerca de 20 segundos, gravada por equipe autorizada, mostrando os últimos instantes de Saddam, antes do enforcamento. Desde domingo, um vídeo pirata, gravado com um telefone celular, foi divulgado na Internet: mostra a execução em detalhes e revela que as testemunhas gritaram o nome do chefe radical xiita Moqtada al-Sadr e provocaram o condenado em seus últimos minutos.

Segundo um membro de sua assessoria, Al-Maliki "leva muito a sério essa investigação e quer punir o responsável, quem quer que seja".

O líder da poderosa tribo dos Beni Tamim foi seqüestrado e assassinado, segundo uma pessoa próxima, que acusou as milícias de Moqtada al-Sadr de o terem jogado do alto de um edifício no bairro xiita de Shuala, Zona Oeste de Bagdá.

O xeque Hamed Mohammed Souhail, de 75 anos, um sunita moderado, chefiava a tribo dos Beni Tamim, cujos membros estão presentes na quase totalidade dos países árabes do Oriente Médio. (das agências de notícias)

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