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Investigado no Iraque quem gravou execução de Saddam

Ao contrário das imagens autorizadas de Saddam antes da execução, o vídeo conseguido por celular mostra o ex-ditador sendo enforcado. Um dos presentes grita três vezes o prenome de Moqtada al-Sadr


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03/01/2007 01:49

MILITANTES sunitas exibem armas durante manifestação em favor de Saddam Hussein (Foto: AFP)
MILITANTES sunitas exibem armas durante manifestação em favor de Saddam Hussein (Foto: AFP)

O governo do Iraque iniciou uma investigação para identificar quem gravou por meio de telefone celular a execução do ex-ditador Saddam Hussein e distribuiu as imagens, segundo anunciou ontem, em Bagdá, uma fonte ligada ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Enquanto isso, parte dos iraquianos continua rendendo homenagens ao ex-presidente.

O vídeo, que mostra Saddam sendo provocado por testemunhas xiitas, incluindo um homem que gritava o nome do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr e, depois, sendo enforcado, foi divulgado pela Internet e por mensagens de celular. As autoridades querem saber o nome daquele ou daqueles que são responsáveis pela difusão dessas imagens na Internet.

Condenado à morte no dia 5 de novembro de 2006 por crime contra a humanidade, o ex-ditador foi enforcado no sábado de madrugada pelas autoridades iraquianas numa caserna de informações militares em Khadamiyah, bairro da Zona Norte e de maioria xiita de Bagdá. Algumas horas depois da execução, a TV pública Iraqia divulgou uma seqüência sem som de cerca de 20 segundos, gravada por uma equipe autorizada, mostrando os últimos instantes de Saddam, antes do enforcamento.

Um vídeo pirata mais completo da execução foi difundido no dia seguinte na Internet. Várias testemunhas provocaram o condenado nos últimos minutos. Na gravação de dois minutos e meio, um dos presentes à execução gritava "Moqtada! Moqtada! Moqtada!", já com Saddam com a corda no pescoço, pouco antes de ser enforcado.

Moqtada al-Sadr é um clérigo radical xiita e líder do Exército de Mahdi, um milícia de cerca de 60 mil homens considerada pelos norte-americanos a mais perigosa unidade que vem atacando os civis sunitas. O fato de alguém que participou do processo de execução de Saddam possivelmente pertencer ao grupo de Al-Sadr enfureceu os sunitas, que lembram do governo Saddam com nostalgia e culpam os norte-americanos e o governo Al-Maliki pela violência no Iraque.

Um porta-voz de Al-Sadr, Nassar al-Roubaie, qualificou de "reação pessoal" a atitude de uma das testemunhas. Muitos especialistas da imprensa árabe afirmam que a gravação faz a execução parecer uma vingança sectária, em vez de um ato determinado pela Justiça. Além disso, eles reclamam do fato de a execução ter sido realizada no dia do feriado de Aid al-Adha, a festa muçulmana do sacrifício.

Já os funcionários do governo iraquiano afirmam que Saddam morreu ma madrugada de sábado, portanto, antes do começo oficial do feriado de quatro dias, tradicionalmente um período de perdão e clemência no mundo muçulmano.

Por sua vez, o presidente Jalal Talabani afirmou que havia se mantido distante da execução, assegurando que "não soube com antecedência" a data do enforcamento do ex-ditador. Bastante embaraçosas para Al-Maliki e a coalizão xiita no poder, as imagens despertaram indignação no seio da comunidade sunita iraquiana e do mundo árabe, enquanto que milhares de iraquianos continuavam a homenagear o ex-presidente em Tikrit, 180 quilômetros ao norte de Bagdá, reduto sunita, e na cidade natal de Awja, onde foi sepultado.

Num comunicado difundido na Internet, Ezzat Ibrahim, o ex-número dois de Saddam Hussein, que está foragido, pediu para todos os grupos adeptos da guerra santa formarem uma frente comum de resistência para libertar o Iraque, rendendo uma vibrante homenagem póstuma ao presidente deposto. (das agências de notícias)

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