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Saddam pode ser enforcado hoje

Além de Saddam Hussein, estão condenados à morte dois colaboradores, o meio-irmão Barzan al-Tikriti e Awad al-Bandar. Se a execução deixar de acontecer até a manhã deste sábado, será efetuada depois da festa muçulmana do sacrifício, que dura quatro dias


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03/01/2007 01:49

SADDAM HUSSEIN ao ser capturado no esconderijo em 2003(Foto: AFP)
SADDAM HUSSEIN ao ser capturado no esconderijo em 2003(Foto: AFP)

As autoridades iraquianas começaram a adotar rígidas medidas de segurança em todo o país antes da execução. Mas deixaram de indicar o local da sentença ou o que acontecerá com o corpo. A União Européia (UE) opôs-se à execução


O ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, estava com a execução prevista na forca para o início da manhã deste sábado, horário local. Foi o que anunciou ontem Munir Haddad, juiz da Corte de Apelações do Alto Tribunal Penal iraquiano, em Bagdá.

Saddam Hussein, seu meio-irmão Barzan al-Tikriti, ex-chefe dos serviços de inteligência, e o ex-presidente do tribunal revolucionário, Awad al-Bandar, foram condenados à morte em 5 de novembro pela execução de 148 aldeões xiitas de Dujail, ao norte de Bagdá, em 1983.

A apelação do ex-ditador foi rejeitada terça-feira pela Justiça iraquiana. A sentença determina que Saddam seja enforcado, assim como os outros dois condenados, nos próximos 30 dias. Pouco antes da declaração do juiz, o deputado Sami al-Askari, um colaborador do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, afirmou que "todos os documentos necessários para a execução estão prontos. Saddam Hussein terá pouco tempo antes da aplicação da sentença".

Segundo al-Askari, "se a execução não acontecer até o amanhecer de sábado, será efetuada logo depois das festividades de Aid al-Adha", a festa muçulmana do sacrifício. A comemoração começa hoje para os sunitas e amanhã para os xiitas, durando quatros dias. Segundo a tradição, ninguém é executado na época de celebrações. "Ninguém pode se opôr à execução" de Saddam, que será enforcado "sem demora", segundo havia declarado à tarde Al-Maliki.

As autoridades dos EUA cancelaram uma visita neste sábado a Bagdá dos advogados de defesa de Saddam, que se encontrariam com o ex-ditador. O advogado Issam Ghazaui recebeu um e-mail sobre a suspensão da visita. Entre as justificativas, a mensagem indica que as autoridades penitenciárias norte-americanas no Iraque estão "ocupadas com outras coisas". Também indicaram que não podereriam ver Saddam porque ele não estava com os norte-americanos.

As autoridades iraquianas começaram a adotar rígidas medidas de segurança em todo o país antes da execução. Mas deixaram de indicar o local da sentença ou o que acontecerá com o corpo. A União Européia (UE) opôs-se ontem à execução, por meio do ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Erkki Tuomioja, cujo país preside atualmente o bloco.

A expectativa internacional pela execução de Saddam Hussein e a aparente indiferença da população iraquiana não acabaram, no entanto, com a violência ontem, na qual morreram pelo menos 12 pessoas e outras oito ficaram feridas. Nove pessoas morreram num atentado suicida contra uma mesquita xiita em Khales, 70 quilômetros ao norte de Bagdá, e outras três, duas delas policiais, morreram em Al-Mussayyeb, 70 km ao sul da capital.

O governo do Chile condenou a iminente execução de Saddam. O ministro das Relações Exteriores em exercício, Alberto van Klaveren, disse estar acompanhando de perto o julgamento. "A aplicação da pena de morte de forma tão imediata contraria nossos princípios", afirmou. Os chilenos opuseram-se à intervenção norte-americana no Iraque, em março de 2003. Mas Van Klaveren admitiu que o ex-líder iraquiano possa ser responsabilizado por crime de genocídio.

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também declarou-se contrário à sentença contra Saddam. "Todos os ditadores devem responder por seus crimes, mas não posso apoiar este tipo de condenação. Sou contra a pena de morte", afirmou Zapatero. (das agências de notícias)


REPERCUSSÃO

The Economist
A revista britânica, que apoiou a invasão do Iraque, considera "má idéia" a execução de Saddam Hussein. "Além de a pena capital ser algo errado em si, por pior que seja o culpado, é improvável que ela ajude a cicatrizar as feridas do Iraque"
www.economist.com

The New York Times
Em editorial intitulado "A corrida para enforcar Saddam Hussein", o jornal americano afirma que a queda do ex-ditador não melhorou o Iraque e prevê que sua morte também não o fará. Critica ainda o julgamento "falho e politizado" que condenou Saddam
www.nytimes.com

The Washington Post
O principal jornal da capital americana também critica as falhas no julgamento de Saddam e enfatiza sua oposição à pena de morte. Mas resigna-se ao lembrar os crimes cometidos pelo ex-ditador. Sua execução não será fruto de uma justiça perfeita. "Mas será justiça mesmo assim"
www.wpost.com

Al-Jazeera
O site da rede de TV do Qatar lamenta a "confusão" provocada pelos boatos em torno da execução de Saddam e dá espaço à opinião dos internautas. "Se Saddam foi condenado pela morte de 148 xiitas, Bush e Blair deveriam ser julgados pela destruição do Iraque e por milhões de mortes", escreveu Nazia, do Paquistão english.aljazeera.net

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