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Etíopes e somalis iniciam ocupação de Mogadíscio

Tropas do governo provisório da Somália, apoiadas por etíopes, apossaram-se do porto, aeroporto e do palácio presidencial de Mogadíscio, desocupada pelas milícias islâmicas que controlavam a cidade


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29/12/2006 02:07

MOHAMMED GEDI (centro-esquerda, de mangas curtas) é o premier do governo provisório (Foto: Peter Delarue/AFP)
MOHAMMED GEDI (centro-esquerda, de mangas curtas) é o premier do governo provisório (Foto: Peter Delarue/AFP)

As tropas do governo de transição da Somália, apoiadas pelo Exército da Etiópia, ocuparam ontem algumas áreas de Mogadíscio, a capital do país, abandonada pelas milícias do Conselho dos Tribunais Islâmicos da Somália (SICC, na sigla em inglês), que a controlavam desde junho. Foi o que anunciou o primeiro-ministro transitório somali, Ali Mohammed Gedi, em Afgoye, 20 quilômetros a oeste de Mogadíscio.

Pelo menos 150 blindados etíopes passaram por Afgoye e se dirigiram para Mogadíscio, de acordo com testemunhas. Os islamitas anunciaram pela manhã a retirada de suas tropas da capital. Gedi, que decretou estado de emergência, se reuniu com líderes tribais e da sociedade civil em Afgoye, para coordenar as forças governamentais com os dirigentes locais, visando ao controle de Mogadíscio.

Paralelamente, milicianos aliados ao governo provisório se apossaram de várias instalações-chave de Mogadíscio, entre as quais o porto à beira do Oceano Índico e o aeroporto anteriormente internacional. Outra milícia tomou conta do palácio presidencial. A Somália, no Chifre da África, é um país arrasado por uma guerra civil desde 1991, quando foi derrubado o ditador Mohammed Siad Barre.

O governo provisório está instalado em Baidoa, 250 km a noroeste da capital. Depois da desocupação da capital pelo SICC, os habitantes começaram saques e trocas de tiros. Pelo menos cinco pessoas morreram na capital somali em tiroteios entre grupos armados que lutavam pelo controle de um arsenal.

O SICC havia conquistado Mogadíscio em junho, após quatro meses de combates contra uma aliança de senhores da guerra apoiada pelos norte-americanos. O líder do SICC, o xeque Sharif Sheikh Ahmed, anunciou à rede de televisão Al-Jazeera, de Doha, Qatar, que suas tropas haviam se retirado de Mogadíscio.

Desde o dia 20 deste mês, quando começaram os violentos combates entre, de um lado, os islamitas somalis e, de outro, as forças governamentais da Somália e os militares etíopes, os combatentes muçulmanos retiraram-se de várias regiões do país. As forças governamentais haviam tomado na quarta-feira Jowhar, cidade estratégica e bastião islamita, 90 km ao norte da capital. O governo da Etiópia reconheceu esta semana pela primeira vez a sua intervenção na Somália ao anunciar um contra-ataque motivado por seu direito à legítima defesa.

Os combates nos últimos dias teriam deixado "talvez entre dois mil e três mil mortos" e "entre quatro mil e cinco mil feridos" do lado islamita, segundo calculou ontem o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi. Gedi prometeu instalar em breve o governo em Mogadíscio. Por sua vez, o governo dos Estados Unidos, que apoiaram o ataque etíope, acusando o SICC de vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda, declarou que acompanha "bem de perto" a situação "complexa" na Somália. (das agências de notícias)

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