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Milhares protestam na Itália em defesa da eutanásia


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26/12/2006 03:00


Cerca de 4.000 pessoas foram domingo, 24, ao enterro de Piergiorgio Welby, em Roma. Ele morreu na última quarta-feira e levantou um forte debate sobre a eutanásia na Itália. Vítima de distrofia muscular progressiva e paralisado havia dez anos, Welby pediu o desligamento do respirador artificial que o mantinha vivo.

Parte da multidão presente gritava "vergonha" como protesto contra a decisão da Igreja Católica de proibir uma cerimônia religiosa para Welby. Apesar do pároco local defender o funeral religioso, a Diocese de Roma o proibiu, "pela defesa reiterada de Welby de dar fim à sua vida, contra a doutrina católica".

O papa Bento XVI entrou no debate sobre a eutanásia, na oração do Angelus, que precede o Natal. "O nascimento de Cristo nos ajuda a tomar consciência do que vale a vida de todo o ser humano, desde seu primeiro instante até seu declínio natural", disse.

A viúva de Welby, Mina, destacou a importância da campanha liderada pelo marido. "Estou feliz por ele, agora ele é livre. Continuarei sua luta", disse. O premiê italiano, o socialista Romano Prodi, disse que era defensor da vida, mas achou que o assunto merecia um debate sério. Políticos de esquerda defenderam sua atitude, enquanto deputados conservadores, da oposição, pediram que o anestesista que ajudou Welby a morrer fosse preso.

Mario Riccio desligou o respirador artificial que mantinha Welby vivo, mas negou ter realizado uma eutanásia, dizendo que apenas "cumpriu a vontade do paciente de não prosseguir com o tratamento". Pode ser condenado a 15 anos de prisão. Welby esteve paralisado em uma cama por quase dez anos. Nos últimos meses, ele já não falava mais e se comunicava por um computador que codificava sons e até o movimento de seus olhos.

Em setembro, enviou um vídeo ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, em que pedia seu direito a morrer. Também escreveu um livro chamado "Deixem-me morrer". Sua luta é parecida com a do espanhol Ramón Sampedro, que viveu 29 anos paralisado em uma cama e escreveu o livro "Cartas do Inferno". Sua história foi levada ao cinema no filme "Mar Adentro", que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado. (Folhapress)

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