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REGIME FECHADO

Morre o ditador do Turcomenistão

Saparmurat Niyazov adotou, durante 21 anos, sistema político fechado e de culto à sua personalidade. Os cargos de presidente e primeiro-ministro eram exercidos por ele


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22/12/2006 02:00

NIYAZOV, 21 anos no poder (Foto: Igor Sasin/AFP)
NIYAZOV, 21 anos no poder (Foto: Igor Sasin/AFP)

O ditador do Turcomenistão, país da Ásia Central que é depois da Rússia o maior exportador de gás natural, morreu ontem aos 66 anos. Especialistas acreditam que a sucessão de Saparmurat Niyazov abra conflitos entre partidários de Moscou e de Washington.

Niyazov construiu em 21 anos um sistema político fechado, com a adoção do culto à personalidade e a proibição de circos, óperas e balés e uma reforma do calendário em que o mês de janeiro passou a ter o nome dele.

Em Moscou, o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, afirmou ter esperança de que a sucessão "se dê de acordo com as leis" e se preserve a continuidade das relações bilaterais.

Saparmurat Niyazov não tinha um sucessor designado, embora sua saúde inspirasse cuidados depois de uma cirurgia cardíaca a que se submeteu em 1997, na Alemanha. Ele morreu do coração, segundo comunicado divulgado em Achkhabad, a capital do país.

A Constituição prevê que, com o impedimento do presidente, assuma interinamente o primeiro-ministro. Mas o cargo também era exercido pelo ditador.

Eldar Namazov, analista baseado no Azerbaijão, disse ser "óbvio que uma guerra de influências começará entre a Rússia e os EUA", com a séria possibilidade de o Irã e o mundo islâmico tentarem ampliar seu espaço político.

Eduard Poletayev, analista político do Cazaquistão, disse ser possível que o islamismo militante procure expandir sua influência regional por meio do vizinho Afeganistão. Seria a substituição da intransigência ideológica pela religiosa.

Em Londres, Shirin Akiner, especialista em Ásia Central no Instituto Real de Relações Internacionais, também acredita no mesmo risco islâmico.

Niyazov não admitia partidos de oposição. Sua última eleição, em 1991, deu-lhe 99,5% dos votos. No plebiscito em que obteve o cargo vitalício, três anos depois, recebeu 99,9%.

Os oposicionistas estão presos ou no exílio. (das agências)

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