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Papa enfrentará prova de fogo

O chefe da Igreja Católica quer propor na Turquia um diálogo respeitoso com o Islã. Mas as palavras dele na Alemanha a respeito dos muçulmanos causaram hostilidade contra ele entre os turcos


25 Nov 2006 - 14h59min

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BENTO XVI terá nesta semana a viagem mais difícil do pontificado (Foto: Alberto Pizzoli/AP)
O papa Bento XVI irá esta semana à Turquia "como um peregrino da paz, aberto ao diálogo e ao reencontro", como definiu na Cidade do Vaticano o cardeal italiano Raffaele Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Para ele, "o encontro com o Islã é importante, sem dúvida". Os acontecimentos anticristãos dos últimos dias no país, no entanto, prevêm algumas dificuldades.

Cerca de 120 pessoas invadiram quarta-feira passada a antiga basílica bizantina de Santa Sofia, em Istambul, transformada em museu. Os manifestantes, que integravam um grupo islâmico nacionalista, entraram um por um, como simples turistas, dentro do templo, reunindo-se depois e clamando slogans hostis ao chefe da Igreja Católica, tendo sido expulsos em seguida por policiais.

Ele deve ir à basílica, construída no século VI e transformada em mesquita depois da tomada de Constantinopla, atual Istambul, pelos turcos em 1453. Bento XVI é esperado na Turquia entre terça-feira próxima, 28, e sexta-feira, 1º de dezembro, na primeira viagem do sumo pontífice alemão a um país muçulmano, dois meses após a polêmica deflagrada por seus comentários sobre o Islã e a violência.

Um partido islâmico já convocou um grande protesto para este domingo em Istambul. No entanto, apesar de um contexto pouco favorável, Bento XVI apresentará na Turquia os termos do diálogo "sincero e respeitoso" que pretende instaurar com o Islã.

As seqüelas da polêmica provocada por sua aula magna na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, colocam o sumo pontífice na defensiva e dão espaço para seus opositores multiplicarem as manifestações de hostilidade alguns dias depois de sua chegada.

Mas os cristãos da Turquia esperam que ele possa falar claramente de sua situação neste país leigo com 99% de muçulmanos, onde a liberdade religiosa reconhecida pelo Estado limita-se, na prática, à liberdade de culto. "Espero que o papa fale a favor dos católicos que vivem aqui, mas também a favor de todas as minorias e que ele reafirme sua posição a favor da liberdade religiosa e dos direitos do homem", declarou o patriarca da Igreja Ortodoxa Grega, Bartolomeu I, cuja sede fica em Istambul. (das agências de notícias)

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