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Confusão e um frasco de calmantes

Amanda Queirós
da Redação

Em Morte no Funeral, o diretor Frank Oz mistura o pastelão das comédias norte-americanas com o refinamento do humor britânico


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12/10/2007 00:42

Morte no Funeral consegue fugir do banal e alcança equilíbrio ao juntos o jeito norte-americano e britânico de fazer comédia(Foto: DIVULGAÇÃO)
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Morte no Funeral consegue fugir do banal e alcança equilíbrio ao juntos o jeito norte-americano e britânico de fazer comédia(Foto: DIVULGAÇÃO)

Funerais sempre funcionam como um ótimo pano de fundo para comédias. Afinal, quantas piadas são possíveis diante da mina de situações constrangedoras que envolvem um evento do tipo? Tem desde o desconforto quando algum tema mórbido vira assunto até o mar de fofocas e de intrigas familiares disfarçada em cinismo e hipocrisia (e a menor das preocupações parece ser o sujeito que está dentro do caixão no meio do sala). O diretor Frank Oz (o mesmo de Será que ele é?) se aproveita exatamente desses elementos para construir Morte no Funeral. Misturando o pastelão das comédias norte-americanas com o refinamento do humor britânico, o cineasta atinge um equilíbrio razoável para permear a trama de ironia e de crítica aos costumes.

Não existe nenhum arroubo cinematográfico na película. A direção é toda certinha, sem ousadias. A aposta é no desenvolvimento dos personagens (e na bola de neve de confusões que vão acontecendo com cada um deles). Daniel, o filho mais velho do falecido, tenta superar o fato de estar sempre à sombra do irmão caçula Robert, um escritor bem-sucedido. A prima Martha precisa ficar de olho no noivo Simon, que se descontrola após tomar um alucinógeno pensando ser um calmante. O tio Alfie está ali somente para reclamar e atazanar a vida do amigo Howard, que ficou com a missão de ser babá dele para tirar o peso dos parentes já de luto. E o anão Peter aparece com um revelação inesperada para a família, responsável pela grande reviravolta do filme.

As risadas partem exatamente do desconforto dos personagens com as situações colocadas. Por mais desajustada que seja aquela família, existem pontos de intercessão muito fortes dela com a realidade. Posto dessa forma, a platéia ri de si mesma e das lembranças dos momentos já vividos nesse tipo de circunstância. O fim moralizante e apaziguador vem exatamente para dar alguma esperança de solução àquela paranóia coletiva (e fazer o espectador respirar tranqüilo; ele também tem salvação).


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