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O gênero não nega: Letra e Música é uma comédia romântica. Daquelas que a gente escolhe quando quer ir ao cinema despretensiosamente, aproveitar o finzinho da tarde se divertindo um pouco com mais um daqueles romances simpáticos pelos quais a gente torce para que dê certo

Daniela Nogueira
da Redação

09 Mar 2007 - 04h59min

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O gênero não nega: Letra e Música é uma comédia romântica. Daquelas que a gente escolhe quando quer ir ao cinema despretensiosamente, aproveitar o finzinho da tarde se divertindo um pouco com mais um daqueles romances simpáticos pelos quais a gente torce para que dê certo. Os personagens Alex Fletcher e Sophie Fisher, vividos por Hugh Grant e Drew Barrymore, protagonizam uma boa opção de entretenimento, que pode até cair na conhecida receita "água com açúcar", mas tem lá seus bons pontos.

Logo no começo da trama, as cenas mostram Alex Fletcher se apresentando em seu grupo pop na década de 1980, famoso à época. Prepare-se: por pior que a música da banda seja, você vai ficar com ela na cabeça por alguns minutos. É inevitável: "I wasn't gonna fall in love again, but then... pop! Goes my heart". No período em que a história se passa, o cantor não vive mais seu tempo de sucesso e só se exibe em eventos pequenos, sem grande importância. Até que um convite aparece e, com ele, a perspectiva de voltar à lembrança do público e à ressurreição de sua carreira. Cora Corman, uma das estrelas pop, solicita que Alex componha uma música e a grave com ela.

Mas ele nunca foi bom nisso e, correndo contra o prazo que lhe é curto, parte, então, em busca de alguém que possa lhe ajudar a escrever a letra. Até que, quase por acaso, descobre que a responsável por cuidar de suas plantas, Sophie Fisher, tem talento para o caso. Se o talento não é tão grande assim, pelo menos, é bem melhor do que o dele. Começam a trabalhar juntos e, aí, qualquer espectador mais atento logo nota que vai rolar algo mais do que uma simples amizade com interesses profissionais.

Sophie é desajeitada, meio estranha, tem um jeito atrapalhado e um passado afetivo marcado por decepção. Porém, e talvez por isso mesmo, o personagem merece destaque. As cenas engraçadinhas das quais participa arrancam alguns risos do público, que parece simpatizar com a moça. E Hugh Grant, com seu tipo sempre sedutor, também encanta, mas parece, em alguns momentos, perder espaço para a colega protagonista.

Mesmo com a história bem conhecida, Letra e Música é agradável sob o ponto de vista do humor. Dá para ensaiar algumas risadas. Mas, em meados da trama, outra música também não sairá da sua cabeça. A letra de "Way Back into Love" não traz nada de fantástico, mas a melodia é inesquecível. Dá vontade de ouvi-la de novo. A gente começa a acompanhar a música de um modo bem espontâneo, batendo o pé no chão e daí fica difícil esquecer. Concordo que bater o pé no chão não é requisito para se classificar uma canção como inesquecível, mas depois que vir o filme, você me dará razão. Vale a pena conferir. Sem grandes ambições de assistir a uma belíssima película, mas com o desejo de curtir um momento agradável. Puro entretenimento.

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