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CINEMA
Pra escutar a voz
Mais Estranho que a Ficção não é uma comédia. Nem um drama. O novo filme de Will Ferrel vagueia na metalinguagem e desafia a conformação em gênero. Mas, se propõe uma discussão formal interessante, é reticente o bastante para, no meio da história, entregar os pontos e optar pelo óbvio
Natália Paiva
da Redação
09 Mar 2007 - 04h59min
O bacana de Mais Estranho que a Ficção é que, ali, é construída uma lógica própria, onde o absurdo soa verossímil, e não patético. Também, a narração em off, recurso utilizado como 'muleta' em tantas produções cinematográficas, é ali trabalhada com propósito. Afinal, o que está posto em quadro já diz muito por si, seja na 'racionalização numérica' dos espaços de Harold, seja no ambiente frio da casa da escritora. Mas a discussão formal - a construção de uma narrativa literária, análoga à contação da história em quadro - se revela pretensiosa demais, para os claros limites impostos pela produção. Aí, no clímax, a escritora opta pelo desfecho medíocre - e o mesmo ocorre com o roteirista de Mais Estranho que a Ficção. Somente cria-se a ilusão de um "elogio à vida", com um breakdown forçado (daí para frente, a vida de Harold seria diferente...). Simplesmente frustrante.
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