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CINEMA ESPECIAL
A França está aqui
De hoje até quinta-feira, Fortaleza recebe o 5º Festival Varilux de Cinema Francês. Os sete filmes programados para a mostra traçam um panorama da nova cinematografia realizada no país
24/11/2006 02:23
OS FILMES
A COMÉDIA DO PODER (L´Ivresse du Pouvoir, 2006)
de Claude Chabrol, com Isabelle Huppert, François Berléand e Patrick Bruel.
Um escândalo estoura na França. Um poderoso grupo petroleiro está envolvido em um caso de corrupção com o governo. Uma promotora pública mergulha profundamente nas investigações sobre o caso para obter provas e levar os culpados aos tribunais. A cada descoberta, ela se vê mais forte e capaz de pressionar e influir os outros. Essa nova característica vai acabar por fragilizar a sua vida privada.
Chabrol se inspira num caso real, ocorrido na França com um grupo petroleiro, para discutir o conceito de poder e as limitações do homem diante do jogo que se faz a partir do domínio dessa habilidade. Será que é possível manter-se estável com um poder crescente sem que ele o desestabilize? Esses são alguns dos questionamentos colocados pelo cineasta em A Comédia do Poder, que foi aplaudido pela crítica especializada francesa e recebeu uma indicação para o Urso de Ouro do Festival de Berlim desse ano.
SERVIÇO
Exibição na sexta-feira (24), às 18h30, e no domingo (26), às 21h.
VOCÊ É TÃO BONITO! (Je Vous Trouve Très Beau, 2005)
de Isabelle Mergault, com Medeea Marinescu, Michel Blanc e Waldimir Wordanoff.
O fazendeiro Aymé Pigrenet acabou de perder a esposa e não consegue mais lidar com todas as atividades do lugar. Decide então arranjar uma outra esposa para ajudá-lo a cuidar das tarefas domésticas. Por meio de uma agência de matrimônios, ele encontra sua pretendente, Elena, na Romênia. Entre os dois, há a perspectiva de uma dupla troca: ela trabalha na fazenda contanto que ele a tire do país de origem.
Em seu filme de estréia, a cineasta Isabelle Mergault e utiliza a experiência no teatro de humor para realizar essa comédia que arrebanhou inesperadas 3,5 milhões de pessoas para as salas de cinema da França, batendo recorde de bilheteria na Europa no ano de 2005.
SERVIÇO
Exibição no sábado (25), às 21h, e na segunda-feira (27), às 18h30
PARIS, EU TE AMO (Paris, Je T´aime, 2006)
dirigido por Alexander Payne, Alfonso Cuáron, Walter Salles, Gérard Depardieu, entre outros.
Esse não é, necessariamente, um filme francês, mas sim uma declaração de amor à capital do país por 23 cineastas renomados de todo o mundo. Ou melhor, uma sucessão de histórias sobre as mais diversas formas de amor. A romântica cidade-luz é o pano de fundo de cada um dos 23 pequenos episódios narrados em cinco minutos.
Na película, Gérard Depardieu vai para o lado de trás das câmeras e filma o episódio Quartier Latin. Os brasileiros Walter Salles e Daniella Thomas se dedicam a Loin du 16Õme. O vasto elenco conta com nomes como William Dafoe, Juliette Binoche, Elijah Wood e Natalie Portman. O filme revela todo o encantamento e paixão provocados pela cidade nos cineastas, que, dessa forma, sustentam o mito de uma Paris que é a capital mundial do amor.
SERVIÇO
Exibição na sexta-feira (24), às 21h, e na terça-feira (28), às 18h30.
EU ME CHAMO ELIZABETH (Jem´appelle Elizabeth, 2006)
de Jean-Pierre Ameris, com Alba Gaãa, Stéphane Freiss e Maria de Medeiros.
Os dramas da infância são os protagonistas dessa história que se passa nos anos 40, no interior da França. A personagem principal é Betty, uma menina de dez anos. Apesar da casa cheia, ela sente-se solitária e vive rodeada de temores. Os pais estão prestes a se separar, a empregada quase não se comunica e a irmã mais velha acaba de sair da cidade para estudar.
Nesse contexto, um desconhecido surge em sua casa e ela decide hospedá-lo secretamento na cabana do quintal. Com isso, a menina acaba enfrentando seus medos naturais, numa atitude de busca insconsciente pela superação de sua solidão. Pouco a pouco, o estranho torna-se seu melhor amigo, com quem ela compartilha os segredos e os medos. Baseado no romance de Anne Wiazemsky.
SERVIÇO
Exibição no sábado (25), às 18h30, e na terça-feira (28), às 21h.
EM DIREÇÃO AO SUL (Vers le Sud, 2005)
de Laurent Cantet, com Charlotte Rampling, Karen Young e Louise Portal.
O filme é uma adaptação da novela de Dany LaferriÕre e se passa no Haiti dos anos 70. Numa viagem àquele país, duas amigas norte-americanas se encantam por Legba, um jovem negro de 18 anos. Entre os três, estabelece-se uma relação de troca de vantagens. Com isso, dá-se o mote para a abordagem de um tema espinhoso: o turismo sexual.
Durante os quinze dias de viagem, as senhoras buscam o prazer e um pouco do desejo e amor que deixaram de sentir em seus países de origem. Legba cai na relação buscando esquecer-se das agruras de viver numa região tão empobrecida, repleto de dificuldades na família e nas ruas. Com isso, a prostituição torna-se uma relação de carinho e ternura. Com esse filme, Cantet recebeu o prêmio Cinema Pela Paz do Festival de Veneza de 2005.
SERVIÇO
Exibição no domingo (26), às 18h30, e na segunda-feira, (27), às 21h.
NO CALOR DO VERÃO (Camping Sauvage, 2005)
de Christophe Ali e Nicolas Bonilauri, com Dennis Lavant e Isild Le Besco.
A família de Camille decide acampar às margens de um lago durante o verão. A garota de 17 anos divide o tédio vivido ali entre os pais e o namorado, que trabalha no bar local. Tudo segue assim até o surgimento de Blaise, um quarentão contratado para dar aulas de veleiro no acampamento onde Camille está hospedada. A jovem e o professor identificam-se um com o outro. Ambos sofrem do mesmo mal-estar existencial. A cumplicidade entre os dois se aprofunda e logo surgem boatos sobre uma suposta relação entre os dois. Eles decidem entrar no jogo e simular a paixão. No entanto, vão ter que vivenciar uma arriscada história de amor.
SERVIÇO
Exibição na quarta-feira (29), às 21h, e na quinta-feira (30), às 18h30.
A CIDADE ESTÁ TRANQÜILA (La Ville Est Tranquile, 2001)
de Robert Guédiguian, com Ariadne Ascaride, Gérard Maylan e Julie-Marie Parmentier.
Esse é o único filme já exibido pelo Festival. O título é uma ironia à real situação em que se encontram alguns moradores de Marselha, a cidade em questão. Uma mãe se desespera para sustentar a filha prostituta que é viciada em drogas. Paul é um taxista que se enche de dívidas para comprar um carro novo. Abderamane, um jovem árabe, vê-se perseguido por um grupo de extrema direita que prega o ódio e aviolência contra os imigrantes. A crueza desses e de outros dramas colocados no filme se entrecruzam. A dureza demonstrada nos episódios relatados é o trampolim utilizado por Guédiguian para uma narrativa de ambições políticas e humanistas.
SERVIÇO
Exibição na quarta-feira (29), às 18h30, e na quinta-feira (30), às 21h.
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24/11/2006 02:23:15 - Conheça os cineastas
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