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Antonio Elizeu de Souza Especial para O POVO


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12/04/2008 20:32

A arte de fazer política com o protagonismo das redes sociais. Assim tem sido o desafio travado no Grande Bom Jardim desde o final da década de 80 do século passado. Em meio à efetivação de protestos, campanhas e mobilizações, os segmentos organizados dessa região, que contempla os bairros Bom Jardim, Canindezinho, Siqueira, Granja Portugal, Granja Lisboa e quatro dezenas de comunidades, construíram a forte imagem de um território político protagonizado por lideranças comunitárias, religiosas e culturais. Na origem desse movimento estiveram as Comunidades Eclesiais de Base. Depois, o Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS), a partir de 1994.

Os moradores dão conta de um Bom Jardim sessentão, com seu território confundido com as áreas dos bairros adjacentes e marcado pela pecha de lugar violento. Mas, a população organizada não se fez de rogada e com ousadia peitou a miséria e o descaso governamental e elaborou o sonho de um lugar onde paire o “bem viver”. No início de 1990, quase não se tinha escola por ali, apenas nove; então, um forte movimento fez ecoar sua voz e sua ação política resultando, dez anos depois, em mais de 40 escolas públicas instaladas na região. E, nos anos mais recentes, a população conquistou o Centro Cultural Bom Jardim, o Espaço Cultural e o Shopping da Economia Solidária Bom Mix, o Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim...

Tudo isso sem “padrinho” político. Prova inconteste do protagonismo cidadão, que só prospera! Essa prosperidade é visível no entrelaçamento de redes sociais, culturais e éticas, ativando também as competências para negociar com o poder público. A forte presença no Orçamento Participativo da Prefeitura e no Plano Diretor de Fortaleza é um exemplo. Mais recentemente, a consolidação da Articulação de Mulheres do Grande Bom Jardim define o bom combate à violência contra as mulheres e pugna por políticas promotoras de eqüidade de renda e igualdade de gênero. E também a imersão da Frente Única por Uma Segurança Pública de

Qualidade na região - uma articulação de atores sociais vinculados à promoção e à defesa de direitos, que agora somam força na efetivação da Política de Desenvolvimento Sustentável do Grande Bom Jardim, enxergando aí a possibilidade de redução estrutural da violência.

Essa política, um documento elaborado pelo CDVHS e Rede de Desenvolvimento Sustentável, que mobiliza 72 entidades comunitárias -, aprovado em conferência representativa da população, conta uma nova história que já começou e vai até o ano de 2025. Em sua base, um diagnóstico socioetnográfico feito com a participação da Universidade Estadual do Ceará.

A nova história aponta para a construção de uma centralidade na periferia. Contribuindo para isso, surge mais uma rede, a da Cultura. Essa centralidade pretende ser mais do que uma rua do comércio. A idéia é fazer circular, ali na periferia, comércio, serviços e entretenimento. Trazendo a Fortaleza turística e saudável para a região do Rio Maranguapinho, que este ano, movido pelo impacto das redes, começa a ser revitalizado pelo poder público.


Antonio Elizeu de Sousa é jornalista e especialista em Comunicação e Imagem. Coordenador de Comunicação e Marketing Social do CDVHS

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