Mário Azevedo
Especial para O POVO
12/04/2008 20:32
O sistema de transportes faz parte da vida da Cidade e possibilita que pessoas e mercadorias se movimentem. Como aprendi e sempre lembro em minhas aulas, ele não é um fim em si mesmo. Ninguém usa o sistema de transportes por usar. Sempre existe um objetivo: trabalho, estudo, lazer, compras,... Existem várias modalidades de transportes (a pé, bicicleta, motocicleta, automóvel, ônibus, trens,...). Cada uma dessas modalidades tem suas vantagens e desvantagens.
Tudo deve começar no planejamento e no controle da ocupação do solo e do desenvolvimento da cidade. Cidades grandes e com ocupação desordenada, tornam-se cidades complicadas e caras para os transportes e outras infra-estruturas. É muita gente e muita carga precisando transitar por um espaço viário limitado. Simplesmente aumentar esse espaço é caro e, baseado na experiência de países ricos, não é a solução. O transporte individual por automóvel não é a solução. Ele exige muito espaço e polui demasiadamente
o ambiente.
Devemos priorizar soluções com o uso de transporte coletivo, mas sem ilusões de que poderemos chegar a proporcionar o conforto e a conveniência do automóvel. A busca deve ser no sentido de proporcionar deslocamentos razoavelmente confortáveis, que torne claro para as pessoas que vale a pena deixar o carro em casa. O custo, por passageiro, do transporte coletivo é muito mais baixo. Devemos, principalmente, melhorar esse transporte para aquelas pessoas que já o utilizam.
As outras virão com o passar do tempo. Não se pode esquecer o transporte não motorizado. A caminhada a pé e o uso da bicicleta constituem a melhor opção para um grande número de viagens mais curtas, que podem conter o deslocamento completo da pessoa ou fazer parte de uma jornada maior, integrada a um modo motorizado. Nesse aspecto surge uma deficiência grave da infra-estrutura de nossa cidade. As calçadas são estreitas e, em grande parte, não oferecem boas condições para a circulação de pedestres. Fica muito pior quando consideramos a situação das pessoas com deficiência. As ciclovias também precisam de investimento.
Temos dois grandes projetos que prometem melhorar muito as condições do sistema de transportes públicos. Um deles é o Metrofor, um sistema moderno de metrô, com grande capacidade, que irá atender a região sul e o oeste da região metropolitana. A previsão de início de operação é 2010. Existem outras linhas planejadas, mas para um horizonte mais distante. O sistema de metrô é mais confortável, bem menos poluente, mas muito caro.
O outro projeto é o Transfor, que consiste em uma série de corredores com faixas exclusivas para ônibus, o uso de veículos articulados e a implantação de estações de embarque-desembarque que facilitam o acesso das pessoas. Quando comparado com o metrô tem custos menores e em um prazo mais curto poderá atingir uma parcela maior da cidade. Aliás, não devemos encará-los como concorrentes, mas como complementares. Os recursos são escassos
e sistemas de transportes são caros.
Mário Azevedo, engenheiro civil, mestre em Engenharia de Transportes, é professor assistente do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC).
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