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Ex-prefeito acusado de financiar furto ao BC é preso

A Polícia Federal prendeu o ex-prefeito de Boa Viagem, Argeu Vieira, acusando-o de ter repassado R$ 100 mil para a quadrilha usar na ação do furto milionário de 2005. Em troca, teria recebido R$ 4 milhões. Argeu nega as acusações

Cláudio Ribeiro
da Redação

15 Nov 2008 - 01h29min

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Argeu negou as acusações(Foto: GEÓRGIA SANTIAGO)
O ex-prefeito de Boa Viagem, Antônio Argeu Nunes Vieira, que chegou a disputar a eleição de 5 de outubro passado naquela cidade (pelo PMDB) e terminou como terceiro na votação, está preso na sede da Polícia Federal, na Capital. A acusação é a de que ele foi um dos financiadores do furto de R$ 164,7 milhões ao Banco Central de Fortaleza, ocorrido três anos atrás. Argeu chegava de uma viagem de Brasília, por volta das 11h30min da última quinta-feira, quando recebeu a voz de prisão dos agentes federais, ainda no Aeroporto Pinto Martins.

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça Federal, realizadas principalmente em 2007, e movimentações financeiras constantes para "laranjas" estariam entre as provas de que Argeu Vieira teria cometido crime de lavagem de dinheiro. Uma das informações, que consta em relatório da PF, diz que ele teria recebido R$ 4 milhões na partilha do furto, depois de ter repassado R$ 100 mil para o bando usar no plano contra o BC. Por isso, também está sendo acusado de partícipe direto da ação de 2005, indiciado por formação de quadrilha. Seu mandado de prisão foi expedido pela 11ª Vara Federal.

Um dos laranjas de Argeu, segundo a PF, seria Antônio Vanderlânio Venâncio Lima, o "Peixinho", também de Boa Viagem, que igualmente foi preso, mas temporariamente (cinco dias). Ele teria recebido bens em seu nome, a pedido do ex-prefeito. Uma picape Fiat Strada 2005 foi registrada no nome de Vanderlânio no Detran de São Paulo. Já haveria pelo menos cinco outras pessoas identificadas pela PF nesse esquema de lavagem.

Nota fiscal
Uma pista curiosa, nota fiscal encontrada ainda em 2005 na sede da empresa Grama Sintética, de onde partiu o túnel para o BC, é um dos principais indícios contra o ex-prefeito. A nota é da compra de um suporte para fita lacradora, adquirido por gente da quadrilha numa loja do Centro de Fortaleza. Com o equipamento, os ladrões do BC lacraram sacos usados para guardar o dinheiro retirado da caixa-forte. Dois funcionários da loja acabaram confirmando aos federais que o suporte para fita foi vendido para uma empresa de Argeu Vieira, a Big Brilho, sediada em Maracanaú. A investigação da PF, inclusive, obteve informações de que membros do grupo teriam usado as instalações da empresa para repartição dos milhões.

Também no relatório da PF são citadas "estreitas relações" entre Argeu e outros dois acusados no furto milionário: Antônio Jussivan Alves dos Santos, o "Alemão", e Juvenal Laurindo. Ambos são de Boa Viagem. Alemão foi preso este ano em Brasília e é apontado como um dos líderes da ação. Argeu teria sido visto com ele na cidade cearense poucos dias antes do crime, em agosto de 2005, segundo informações repassadas à PF. Juvenal foi denunciado à época da Operação Toupeira, em 2006, quando a Polícia descobriu túneis escavados pela mesma quadrilha para furtar dois bancos, em Porto Alegre (RS) e Maceió (AL). Ele escapou dos federais e negou, através dos advogados, ter participado do crime.

O advogado de Argeu Vieira, Paulo Quezado, disse que o ex-prefeito negou as acusações no depoimento à PF. Afirmou que conhecia alguns dos acusados do furto por serem conterrâneos de Boa Viagem, mas não estaria envolvido com o caso. Vanderlânio confirmou a transferência de bens para seu nome ao delegado federal Antônio Celso dos Santos, que veio de Brasília para o Ceará acompanhar as prisões. A PF também realizou mandados de busca e apreensão na casa de Argeu em Fortaleza, na sede da empresa Big Brilho, e em duas propriedades rurais em Boa Viagem.

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