Ricardo Moura
da Redação
Segundo pesquisa O POVO/Datafolha, 55% dos entrevistados afirmam estar mais felizes atualmente que há quatro anos. Para especialista, momento econômico favorável e fortes ligações afetivas podem explicar esse resultado
03/10/2008 01:57
Leitor (a), você está feliz? Segundo pesquisa O POVO/Datafolha, as chances de a resposta ser positiva são bem grandes. Enquete realizada com 1.040 pessoas, entre os dias 5 e 6 de setembro, revela que 76% dos fortalezenses consideram-se felizes em relação à sua vida e 55% afirmam estar mais felizes hoje que há quatro anos. Apenas 3% dos entrevistados disseram estar infelizes.
A percepção de que se é feliz ocorre de modo semelhante nos mais diversos credos religiosos e cores. Os mais jovens, contudo, afirmam ser mais felizes que as pessoas mais idosas. A expressão "dinheiro não traz felicidade" é contestada pelos resultados do O POVO/Datafolha. As pessoas que ganham acima de cinco salários mínimos mensais se dizem mais felizes do que as que recebem menos de dois salários. Quem tem nível superior de escolaridade também se considera mais feliz do que quem possui apenas o ensino fundamental.
No plano político, o presidente da República é apontado como a figura que mais influencia toda essa felicidade, com 36% das respostas. O prefeito da cidade vem logo depois, com 34%. O governador do Estado é visto como o terceiro mais influente (15%). O Congresso Nacional, por sua vez, parece não ser uma fonte de felicidade para o fortalezense. Somente 4% das pessoas ouvidas acham que o Poder Legislativo é uma boa influência.
Os números de Fortaleza seguem a tendência nacional. Uma pesquisa divulgada no mês passado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que o jovem brasileiro é o mais otimista em relação à sua felicidade futura. O índice ouviu entrevistados de 132 países. Numa escala de 0 a 10, o Brasil obteve 8,78.
Para o psiquiatra e professor da UFC, Fábio Gomes de Matos, essa percepção de felicidade pode ser explicada por dois motivos. O primeiro seria o bom momento econômico vivido pelo brasileiro e, por conseqüência, pelo fortalezense. "A gente se satisfaz com pouco. A classe média é majoritária. As pessoas estão adquirindo bens que antes não tinham acesso. Para quem não tinha nada, qualquer melhora já é muito".
Por outro lado, Fábio Gomes ressalta que as ligações afetivas são muito valorizadas pelo fortalezense. "As pessoas daqui são mais generosas que as de outros países. Nós temos a cultura do almoço no fim de semana com toda a família, mesmo que a situação econômica não esteja muito boa. Em um país como a Dinamarca, por exemplo, 55% das pessoas entre 20 e 40 anos moram sozinhas".
Essa característica, no entanto, estaria começando a se perder com o crescimento desordenado da cidade. "Fortaleza está se tornando uma cidade muito desumana. Temos uma crescente violência associada à grande desigualdade social. Deveremos ter uma diminuição nesse percentual (de felicidade pessoal) nos próximos anos", adverte.
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O que é ser feliz?
A felicidade sempre foi tema da filosofia, de Sócrates a Platão; de Espinosa a Kant; Diderot e Alain de Botton. Segundo o filósofo e matemático francês Blaise Pascal, "todos os homens procuram ser felizes; isso não tem exceção...É esse o motivo de todas as ações de todos os homens, inclusive dos que vão se enforcar..."
Para o filósofo grego Epicuro, "a filosofia é uma atividade que, por discurso e raciocínios, nos proporciona uma vida feliz". A felicidade é a meta da filosofia. Em última instância, felicidade é sabedoria.
Uma vida verdadeiramente feliz, segundo Santo Agostinho, é fundada na "alegria que nasce da verdade". Tal sentimento se contrapõe às pequenas felicidades, sempre mais ou menos fictícias ou ilusórias. É essa difícil busca que faz o escritor Guimarães Rosa afirmar: "Felicidade só em raros momentos de distração".
Fonte: Texto adaptado do filósofo Vanderlei Carneiro, mestre em Filosofia.
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