Fortaleza
caso banco central
PF prende o misterioso "Paulo Sérgio"
A Polícia Federal prendeu na última quinta-feira, em Minas Gerais, o obscuro personagem do furto ao BC que abriu a empresa Grama Sintética se apresentando como "Paulo Sérgio de Souza". Trata-se do assaltante Jorge Luiz da Silva, o Mineiro
Luiz Henrique Campos e Cláudio Ribeiro
da Redação
27 Set 2008 - 00h58min
Transferido para a superintendência da PF, em Brasília, Jorge Luiz passou boa parte do dia de ontem prestando depoimento ao delegado Antônio Celso dos Santos, responsável pelo caso. O acusado deverá ser trazido nos próximos dias para Fortaleza, onde deverá prestar depoimento na sede da Justiça Federal. Depois de cruzar várias fotos e informações em fichas criminais, a Polícia pôde enfim confirmar a identidade de "Paulo Sérgio" como Jorge Luiz da Silva. Foi ele o homem que, em 2005, abriu com o nome falso a empresa PSS Grama Sintética, de onde a quadrilha escavou um túnel em direção ao BC e de lá saiu com os milhões em notas de 50 reais.
Até ontem à tarde, a prisão de Jorge Luiz era mantida sob sigilo, para não atrapalhar a investigação. A identificação foi feita através de declarações prestadas pelos próprios participantes do crime e algumas testemunhas, que mantiveram contato com o assaltante alguns dias antes do furto. A identidade fictícia de Jorge Luiz da Silva, no entanto, veio à tona após a realização de investigações sobre roubos a bancos ocorridos em Belo Horizonte entre os anos de 2003 e 2005. Com indícios apontando que "Paulo Sérgio" poderia estar envolvido nessas ações, a PF passou a concentrar um trabalho específico em Minas Gerais e descobriu que ele era procedente daquele estado e já teria, antes do furto ao BC, participado de roubos na capital mineira.
Um fato determinante para a identificação de "Paulo Sérgio" foi a veiculação, na imprensa de Minas Gerais, de uma reportagem sobre a tentativa de um roubo a banco seguido de seqüestro de familiares do gerente da agência. Um dos participantes foi reconhecido como sendo Jorge Luiz da Silva, que teria fugido do local num veículo roubado. A PF passou então a utilizar-se de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e conseguiu identificar vários bens móveis e imóveis adquiridos por ele como produto do furto ao BC.
O acompanhamento da PF sobre os passos de Jorge Luiz detectou ainda que, após o furto milionário, ele planejou e vinha cometendo diversos crimes, como roubos e fraudes com cartões bancários. No início da noite de ontem, O POVO tentou contato com o delegado Antônio Celso para obter mais informações sobre as declarações prestadas no depoimento de ontem, mas ele disse que não poderia falar naquele momento. Com as tomadas de depoimento, que deverão se estender por este fim de semana, a Polícia quer apurar mais detalhes sobre o quantia do furto recebida por Jorge Luiz e possíveis nomes de mais envolvidos no caso.
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