Fortaleza
NO NORDESTE
Ceará é o estado com maior número de apreensões de cocaína
O Ceará é o estado do Nordeste com o maior o número de apreensões de cocaína realizadas pela Polícia Federal. Em 2008, a quantidade de droga apreendida é três vezes maior que a do Rio Grande do Norte, estado que ocupa a segunda posição na lista
Ricardo Moura
da Redação
21 Jul 2008 - 01h02min
O delegado Marcelo Diniz, chefe substituto da Coordenação-Geral de Polícia de Repressão ao Entorpecente (CGPRE), da Polícia Federal, afirma que Fortaleza é um ponto estratégico para o tráfico, por causa de sua proximidade geográfica com a Europa e a África Ocidental, destinos da maior parte da cocaína que passa pelo País. "Só uma pequena quantia permanece aqui. O grosso vai para outros países. Eventualmente, a droga segue direto para a Europa, sem passar pela África, onde a fiscalização não é tão rigorosa", explica.
Além das questões geográficas, segundo o delegado, os traficantes preferem atuar sob condições favoráveis, ou seja, em locais onde a fiscalização não costuma ser tão rigorosa. De acordo com um relatório da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, a cocaína que é enviada para fora do País passa, principalmente, pelos aeroportos nordestinos.
A maior repressão em aeroportos do São Paulo e Rio de Janeiro ou em áreas tidas como vulneráveis como a Tríplice Fronteira, no Sul do País, faz com que o tráfico procure novos caminhos. Prova disso foi a descoberta de uma rota em 2007 que saía da Bolívia, passava pela Argentina e chegava ao Brasil pelo Rio Grande do Sul. De lá, a cocaína ia para Fortaleza, de onde era enviada para a Europa, segundo a Polícia Federal.
Diferenças
O Relatório Mundial Sobre Drogas 2008 do Escritório das Nações Unidas Contra o Crime(Unodc, na sigla em inglês) revela que cerca de 40% da droga que chega ao mercado europeu usa o Brasil como rota, passando antes pela África. Segundo o governo americano, a coca boliviana seria consumida, quase que exclusivamente, no mercado local. A cocaína colombiana, por sua vez, seria destinada à Europa e, em menores proporções, para os Estados Unidos.
Para Marcelo Diniz, a principal diferença reside no modo como a cocaína se apresenta. Enquanto o cloridrato da coca (pó refinado, em forma de sal) teria origem na Colômbia e seria voltada para o Exterior, a pasta-base seria proveniente da Bolívia e estaria mais relacionada ao consumo interno. Entre seus usos, destaca-se a produção de crack, droga que está causando muitos problemas aos órgãos de segurança por causa de seu preço baixo e do alto poder de causar dependência química.
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LEIA AMANHÃ
Em Fortaleza, o sistema drive-thru de venda de cocaína continua funcionando normalmente.
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