19/07/2008 14:13
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) é cautelosa. Prefere não comentar o primeiro mês da Lei Seca. Argumenta que ainda é cedo e que não há muito o que avaliar ainda. Alegam que um mês é pouco para afirmar com segurança qual é o impacto na lei nas estatísticas em 61 mil quilômetros de estrada. A assessoria de comunicação da PRF, em Brasília (DF), prevê para o começo de agosto a divulgação do resultado real da situação nas rodovias federais.
Os órgãos estaduais, no entanto, comemoram os resultados e dizem que o clima, a partir de agora, é de mais otimismo. A tendência é de que a fiscalização e o rigor aumentem. Não é comprovado ainda que a causa é a Lei Seca, mas a diminuição no número de atendimentos nos hospitais por colisões é festejada pelos gestores. "Nas blitze, a gente percebe uma mudança de hábito", diz o superintendente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/CE), João Pupo.
Ele cita que muitas mulheres têm dirigido mais, já que os homens bebem e passam para elas a chave do carro. "Isso pode até ser um pouco machista, mas denota uma maior consciência do cidadão", afirma. O Detran, desde as primeiras fiscalizações até a última quinta-feira, já contabiliza 18 carteiras de habilitação suspensas. Desses casos, três motoristas sofreram apenas punição administrativa e 15 foram encaminhadas à delegacia de polícia. Quatro do total ocorreram durante a Expocrato, na cidade do Crato.
A polêmica que tem-se formado em torno da Lei Seca tem explicação, segundo Flávio Patrício, presidente da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC). "Primeiro, ninguém gosta de ser fiscalizado. Segundo, isso mexe com a sociedade como um todo - com o cidadão comum, com quem comercializa a bebida, com táxis...", afirma. Desde quando a lei entrou em vigor, todas as abordagens da AMC foram por causa de colisões que ocorreram.
Pela AMC, até a última quinta-feira, 17, oito apreensões de carteira de habilitação tinham sido feitas. A Autarquia ressalta a redução no número de atendimentos na saúde. Flávio Patrício reconhece a mudança de hábito da população. "As pessoas estão tendo cuidado de não dirigir após o consumo de bebida alcoólica, tornando o trânsito mais seguro", anima-se. Os resultados das duas últimas blitze realizadas em Fortaleza pelo Detran e AMC em Fortaleza, entre sexta-feira para sábado são positivos. Segundo a assessoria do Detran, o teste do bafômetro foi realizado em 20 motoristas. Todos deram negativo para o álcool. (DN)
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