Mariana Toniatti
da Redação
De manhã, as atrações principais são o banho de mar e a cor da água. De tarde, o pôr-do-sol é mais lindo visto do mar. Todo dia, na mesma hora, o barco vai margeando a costa e revelando a cidade
19/07/2008 14:13
O barco vai se afastando e a cidade aparece num ângulo incomum. Linda! A orla emparedada é outra coisa vista do mar. "É como redescobrir Fortaleza. Nenhuma vista se parece com essa", diz Sérgio Tadaiesky, que há 20 anos teve a idéia de levar turistas para um passeio diferente na beira-mar, pela água. Hoje os saveiros fazem parte da paisagem. Perto das 18 horas, margeiam a orla com suas lâmpadas acesas, lembrando que o dia está terminando.
Nesse horário, de 16 às 18 horas, o passeio é mais concorrido. "Tem o apelo do pôr-do-sol", explica o mestre da tripulação, Gilmar Oliveira. Mas ele mesmo prefere o passeio de manhã. Das 10h ao meio-dia é que se vê de perto os verdes mares da cidade. "O banho de mar é muito mais gostoso! A água é fresca e não tem o vento da tardezinha", diz. Fernanda Cláudia, que já experimentou os dois horários, também prefere de manhã.
"Você pega um bronze, tem um ventinho fresco e um banho de mar maravilhoso!". Nascida e criada no Mucuripe, Fernanda conhece todo mundo por ali e pega carona nos passeios. "A gente também tem que aproveitar o que a cidade oferece! Não precisa ser só do turista". Cerca de 90% da freqüência é de visitantes. "Já tinha passeado de barco, mas geralmente você vai pra uma praia mais afastada. Aqui a graça é justamente a visão da cidade!", diz Daniele Bonach, de Brasília.
A primeira coisa que o guia Francisco Alves, 32, faz quando pega o microfone é ensinar a colocar o colete salva-vidas. Só uma senhora veste. Os adultos colocam nos filhos, mas preferem ficar sem. "O uso não é obrigatório. Não tem lei que determine. Sugiro que todo mundo use. É desconfortável, mas é uma segurança a mais", diz o capitão-tenente Antônio de Oliveira Santos, chefe do departamento de segurança do tráfego aqüaviário da Capitania dos Portos.
A Capitania fiscaliza os saveiros que têm autorização para operar. É obrigatório ter a bordo um número de salva-vidas equivalente à capacidade declarada de passageiros. Para as crianças, é preciso ter 10% de coletes menores. Bóias circulares e rádio comunicação são outros itens de segurança indispensáveis. A tripulação deve ser habilitada. O mestre guia o barco, o marinheiro de convés transporta os passageiros de jangada até o saveiro e cuida do serviço de bordo. Tem caipirinha, cerveja gelada, refrigerante e salgadinho.
No saveiro Dragão do Mar, da Ceará Saveiros, José Pinheiro, 68, é o marinheiro de máquinas. "Trabalhava lá fora como pescador, depois fui motorista de barco e agora estou só passeando", sorri. Segundo o tenente Oliveira, quase todo dia sai uma lancha fiscalizando as embarcações no Mucuripe. Os saveiros só podem trafegar próximo à praia. É proibido ir para alto-mar. Por isso, o risco de enjôos é pequeno. O passeio é pedida certa para os turistas. "Vou recomendar! Duvido que alguém de fora não fique encantado!", diz Daniele. E também vale como sugestão para o fortalezense, de férias ou não.
Serviço:
Ceará Saveiros. Existe há 20 anos, foi pioneira. Passeios de 10h ao meio-dia e das 16 às 18 horas. R$ 25,00 adultos e R$ 15,00 crianças de 6 a 10 anos. Crianças de até 5 anos não pagam. Tel: 3263 1085
Philosophy. O saveiro é elegante, todo branco com banquinhos de praça numa espécie de terraço. Tel: 3263 1406
Saídas da avenida Beira Mar, próximo do número 4.293, no Mucuripe.
SAIBA MAIS
Até o fim do ano passado, a parada para o banho era na Praia Mansa. Hoje é em frente ao Marina Park. Para receber uma certificação internacional, o Porto do Mucuripe passou a cumprir exigências de uma convenção criada depois dos atentados de 11 de setembro que reforça a segurança das áreas portuárias. O perímetro de segurança do porto abarca a Praia Mansa, totalmente fechada para civis. Surfistas que ainda se aventuram por lá são expulsos pela Polícia Federal.
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