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Fortaleza

PONTO DE VISTA

Dá para mudar

Tânia Alves
editora executiva do Núcleo Cotidiano do O POVO


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19/07/2008 00:12

Na Redação, todos tinham uma história para contar. Do motorista que não dá a vez no trânsito; do papelzinho jogado no chão, do cachorro levado para fazer cocô nas calçadas da Aldeota, da falta de respeito aos idosos (ninguém quer mais ceder o lugar nos ônibus). Eram tantas as reclamações, tantos estresses por coisas pequenas. Tantos gastos do poder público. Tudo por causa da má educação nas ruas de Fortaleza.

De fora vinham os exemplos de como as outras cidades funcionam. O professor que voltou de Lisboa contou que foi obrigado pelo guarda a apanhar o papel jogado por ele na rua sob risco de ser mandado de volta para o Brasil. O jovem que estava fazendo intercâmbio na Inglaterra sentou-se onde não devia e foi "convidado" a se levantar imediatamente. Em Paris, as madames vão passear com o cão e levam a pazinha e sacola. Em Curitiba, não existe lixo na rua. Mesmo com o trânsito caótico de São Paulo, as pessoas têm mais respeito pelo outro. A pauta veio daí e os questionamentos também. Por que não em Fortaleza? Por que só aqui a gente é obrigado a ouvir o som alto dos carros na rua? Porque estes exemplos não poderiam ser para nós cearenses?

Podemos mudar sim. Podemos ser mais bem educados. E não é preciso esperar que nossos filhos cresçam. É necessário dar o exemplo agora para eles. Temos que melhorar o presente desta cidade para que ela se torne mais coletiva. Entender o respeito ao outro. A transformação passa pelo poder público que pode definir as regras, fazer campanhas educativas, mas depende de cada um. É uma decisão de todos. Começa por coisas pequenininhas. Se não tem lixeira para jogar o papel do bombom, dá para colocá-lo na bolsa e esperar chegar à casa. Dá para estacionar longe do colégio, andar um pouquinho para pegar o filho na escola. Faz bem até para a saúde. Dá para varrer a calçada e acondicionar o lixo. Se não for assim, cada um vai continuar achando que só o outro é mal-educado. O POVO vai manter o assunto em pauta. A cada mês, vamos voltar ao tema, mostrar maus e bons exemplos. E convidar o fortalezense a mudar de atitude. Você topa?

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Comentários

É verdade, podemos e devemos mudar rapidamente os nossos hábitos, somos um país onde não se tem a minima educação ambiental, aqui se cospe em vias públicas, se leva animais p/passeios sem a devida cautela, onde se joga lixo na rua, se fuma em locais não permitido, se fazem buzinasços em locais próximos a hospitais, aqui não se respeitam os idosos, a culpa é de quem? Dos poderes públicos e da família, da falta de orientação em sala-de-aula, falta total de educação. Podemos mudar sim, mais com muita força de vontade.

Euglaudston Celestino

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