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Fortaleza

CONJUNTO SÃO MIGUEL

Moradores são prisioneiros da violência

Fátima Guimarães
da Redação

Famílias da comunidade São Miguel, na Grande Messejana, afirmam que se sentem ameaçados pela violência. No local, muitos comércios já fecharam, imóveis estão à venda


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19/07/2008 00:12

O medo da violência está mudando os hábitos das famílias que moram na comunidade São Miguel, na Grande Messejana. Elas não podem ficar na calçada, sair depois das 20 horas, assistir à missa do lado de fora nas Igrejas São Miguel e São Francisco, que são pequenas. O clima é de tensão e, como se sentem ameaçadas, pedem para não ser identificadas na reportagem do O POVO. "Somos prisioneiros," relata uma dona-de-casa que mora há 30 anos no local. Ela tinha um bar, mas desistiu do negócio porque era muito arriscado.

Hoje, a família vive com o salário do filho de 19 anos, que cursa o 3º ano do ensino médio. Todo dia, ela sai às 5 horas da manhã para deixá-lo no ponto do ônibus. Caminha quatro quarteirões. Na volta para casa, vai buscá-lo no mesmo local. A razão de tanto cuidado é porque o rapaz tem de cruzar a avenida Odilon Guimarães, que divide o território de grupos rivais que disputam o controle do tráfico de drogas na área. "Tentei vender a casa por R$ 10 mil, mas não tem comprador", observa. Faz pouco tempo que o filho de 14 anos foi abordado à noite, obrigaram-no a tirar toda roupa. "Só não aconteceu o pior porque outro integrante do grupo chegou e disse que meu filho não era da turma."

Outra moradora diz que está assustada com o problema da droga. Segundo ela, os tiroteios acontecem a qualquer hora do dia. "Quando a gente vê, são eles correndo e depois sabe que alguém morreu". Mãe de duas crianças, ressalta que os filhos ficam "presos" dentro de casa. A comerciante tinha 30 funcionários, agora só quatro. Os pedidos de demissão teriam sido por causa da violência. Ela já fechou um comércio e está pensando em desistir do outro. "Se não melhorar, vou embora, pois só existe paz quando se tem tranqüilidade." Ela lembra que no São Miguel vivem muitos trabalhadores, cidadãos que pagam impostos e que merecem ser respeitados. As famílias ressaltam que existe policiamento e que viaturas circulam pelo local, mas que mesmo assim, os traficantes agem.

Os jovens afirmam que são os mais prejudicados. Além da falta de espaços de lazer e de cultura na comunidade, não podem se deslocar para os eventos na praça de Messejana. "Como sair, se tem de voltar antes das 20 horas?", indaga uma estudante de 20 anos. A mãe dela ressalta que o problema só será resolvido quando a polícia identificar e prender os líderes dos grupos, já que tudo está relacionado com a venda de droga. "Aqui quase não acontece assalto, os comércios e as casas ficam abertas. Ninguém fica na rua por medo das balas perdidas."

A comunidade é dividida. De um lado fica o chamado Parque São Miguel e do outro, o conjunto. No primeiro, a rua principal é a Neném Arruda, onde está concentrada a maioria dos estabelecimentos comerciais. A via tem muitos buracos. Os demais acessos são formados por vias estreitas, sem pavimento e por isso, sem condições de transitar veículos. Segundo os moradores, por segurança, quem mora em um lado, não passa para o outro. "Se quiser ir no outro território, só na companhia de um conhecido", revela um rapaz de 18 anos.

No denominado Conjunto São Miguel, a situação de terror é a mesma. As pessoas têm medo de falar sobre as cenas de violência. Uma dona-de-casa observa que está difícil fazer compra, pois muitos comércios fecharam. “Mais de 20 e tem gente vendendo casa até por mil reais e não encontra quem compre.” Na rua Santa Rita, que é ampla e pavimentada, fica a Igreja São Francisco. Ninguém fica na pracinha. Movimento só no dia de missa. Uma família que mora há 26 anos na comunidade diz que o momento atual é muito difícil. “Se o vagabundo está na rua, nossos filhos não podem sair.”


E-Mais

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Executiva Regional (SER) VI, a comunidade de São Miguel deverá ser beneficiada com obras de infra-estrutura previstas para área da SER VI e que técnicos do setor deverão visitar a comunidade na próxima semana. Segundo o órgão, vários equipamentos como postos de saúde, escolas, creche, praças foram instalados nos bairros que ficam no entorno do São Miguel como Alagadiço Novo, Lagoa Redonda, Curió.

Ainda segundo a SER VI, um projeto-piloto que trabalha com a reintegração de adolescentes em conflito com a lei, desenvolvido atualmente no Bom Jardim, deverá ser estendido a outros bairros da cidade. A próxima área deverá ser Messejana com atividades voltadas para os jovens da comunidade do São Miguel.

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Comentários

Porque a jornalista não pede para o Assessor deImprenssa da SER VI provar 10% do que foi afirmado.

ANTONIO OSMIDIO TEIXEIRA ALENCAR

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