Fátima Guimarães
da Redação
Durante duas horas, alguns serviços do Hospital Infantil Albert Sabin funcionaram parcialmente
17/07/2008 00:45

O atendimento na emergência do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) foi normal. O setor de marcação de consultas e exames parou e alguns serviços como fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, laboratórios funcionaram parcialmente ontem das 8 às 10 horas por causa da paralisação dos servidores da unidade que aderiram ao movimento dos trabalhadores da saúde do Estado.
A dona-de-casa Ana Paula da Silva saiu de Maracanaú com o filho Jonatan, 10, para uma consulta no Hias. "O médico estava aqui na hora e ele foi atendido, já podia estar em casa, mas agora tenho de esperar para marcar o retorno." O motorista Fernando Ivo, que acompanhava a filha, também se sentiu prejudicado. "Só depois que a paralisação terminar, às 10 horas." Evaneide Ferreira ficou apreensiva quando viu a movimentação do lado de fora do hospital, com carro de som e protestos de servidores por causa dos baixos salários. A filha dela, de quatro meses, tinha consulta marcada. "Estou tranqüila, a médica está atendendo."
A paralisação não afetou muitos serviços do hospital porque há profissionais em estágio probatório, lotados recentemente após o concurso público da saúde. Walter Frota, diretor do Hias, explica que os casos mais urgentes de ambulatórios e de exames laboratoriais foram atendidos. Ele acrescenta que houve um atraso de duas horas nos atendimentos prestados pelo hospital, mas depois houve a normalização dos serviços. "É um direto do servidor, mas não podemos esquecer o paciente que tem de ser respeitado."
O movimento dos trabalhadores da saúde do Estado foi iniciado na última segunda-feira, 14, com a paralisação dos servidores dos Centro Especializado de Odontologia (CEO), já atingiu o Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemoce), o Hias e hoje, será o Hospital de Messejana.
O coordenador geral do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado do Ceará (Mova-se), Airton Lucena Filho, diz que todos os cerca de 14 mil servidores do Estado (não inclui os novos concursados e agentes de saúde) têm o plano de cargo e carreira desde 1996, mas está defasado. Segundo ele, a proposta de atualização já foi entregue ao Governo. "Queremos começar as negociações. Por isso, pedimos PCCS já". Ele acrescenta que a nova proposta apresenta como diferencial a atualização das tabelas de vencimentos, que serão unificadas, valorização dos servidores (aproveitar a qualificação do servidor). Raimunda Lúcia Matos é funcionária pública há 28 anos. Com os benefícios, o salário mensal chega a R$ 400, mas o vencimento base é de R$ 246. "Como vou viver se eu me aposentar, se agora já está difícil."
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), a proposta de atualização do Plano de Cargo, Carreira e Salários (PCCS) dos trabalhadores da saúde já está na Seplag para estudos. Na última segunda-feira, Arruda Bastos, secretário-executivo da Saúde do Estado, disse que existe uma comissão formada por representantes de várias secretarias analisando o documento.
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