Lucinthya Gomes
da Redação
Numa visita à Casa de José de Alencar, em Messejana, é possível aprender sobre a obra do escritor, ver a história do livro Iracema contada por imagens e saber mais sobre escravidão e cultos afro-brasileiros
16/07/2008 00:35

No meio da movimentada avenida Washington Soares, a Casa de José de Alencar "respira", cercada por árvores, que dão sapoti, genipapo, manga, caju e outras frutas. Em Messejana, o sítio Alagadiço Novo permite o contato com a natureza, mas principalmente remete à história do escritor José de Alencar, que viveu ali até os 9 anos, quando era chamado de Cazuza. A Casa José de Alencar é mantida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e, lá, o visitante pode aprender sobre a obra do escritor, ver a história do livro Iracema contada por imagens e saber mais sobre escravidão e cultos afro-brasileiros. A visitação é gratuita.
Nesta semana, a estudante Dayane Silva, 16, de Acopiara, visitava a Casa de José de Alencar pela primeira vez. Ela vai prestar vestibular no fim do ano e viu a oportunidade de aprender mais sobre o escritor. "É interessante. É bom a gente conhecer um pouco da vida dele (José de Alencar)", disse. Fênia Lisboa, 25, que estava com ela, enfatizou a importância do escritor. "A gente escuta tanto falar sobre as obras dele. É muito interessante saber onde ele nasceu, a história dele", comentou.
A Casa José de Alencar conta com seis monitores capacitados, que se distribuem em dois turnos e acompanham os visitantes, fazendo explanações sobre peças e espaços. A pinacoteca dispõe de quadros do pintor maranhense Floriano Teixeira, falecido em 2000, que retratou as obras de Alencar. Trinta e duas telas estão disponíveis. De acordo com a monitora Marta Zélia, as pessoas costumam gostar muito das telas Iracema, Senhora, Lucíola e O Guarani.
Na sala Iracema, as ilustrações de Descartes Gadelha contam a história do romance da índia com Martim Soares Moreno, um dos mais famosos de José de Alencar. "É um resumo visual. Os fatos mais importantes do livro estão aqui retratados". Durante a visita, as ruínas do primeiro engenho a vapor do Ceará, um marco na economia do Estado em meados de 1830, também podem ser vistas.
O visitante pode conferir ainda o museu Arthur Ramos. "Arthur Ramos foi um antropólogo mundialmente conhecido, que colecionou objetos sobre escravos e os cultos afro-brasileiros. Temos peças com que os escravos eram supliciados, imagens de orixás. Aqui a gente faz uma explanação sobre a origem da umbanda", explicou. Neste mesmo espaço, tem a sala de Rendas e Bilros de Luiza Ramos, mulher de Arthur Ramos. A coleção dispõe de rendas de países como China, Espanha e de vários estados brasileiros.
Segundo ela, a maioria dos visitantes da Casa José de Alencar quer ver objetos pessoais do escritor e quase ninguém tem conhecimento deste museu. "Mas a gente explica que Alencar só viveu aqui até os nove anos, quando toda família dele foi embora para a Corte, no Rio de Janeiro". Por isso, as peças do escritor estão reunidas na fundação Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Segundo ela, as crianças costumam gostar do museu. "Elas sentam e escutam histórias relacionadas aos escravos e cultos", destaca.
SERVIÇO:
Casa de José de Alencar
Visitação: De segunda a sexta, das 8 às 17 horas. Aos sábados, das 8 horas ao meio-dia.
Agendamento de grupos: 3229 1898
Aberto ao Público
E-MAIS
O prédio do Museu foi construído em 1965, respeitando o estilo de Casa de José de Alencar, com carnaúba. A maioria das árvores do sítio é centenária e, por isso, visitantes podem ter lições de ecologia por lá também. Lá são realizadas as aulas do Curso de Licenciatura em Educação Musical, da Universidade Federal do Ceará (UFC).