Fátima Guimarães
da Redação
Os trabalhadores da saúde ameaçam fazer greve por tempo indeterminado se não houver avanço nas negociações com o Governo do Estado para discutir o Plano de Cargo, Carreira e Salários (PCCS)
15/07/2008 00:15

A dona-de-casa Eliane Maria tinha consulta marcada para a filha Evilene Cristina, 10, que está fazendo tratamento de canal da raiz dentária (endodontia) no Centro Especializado de Odontologia (CEO), no Centro. Ela diz que chegou às 8 horas, mas por causa do movimento dos profissionais da saúde, o atendimento no serviço atrasou e às 10 horas ela ainda não sabia se seria atendida. "A gente tem maior dificuldade de marcar (consulta) no posto de saúde e quando consegue ainda tem isso. É um desrespeito." Ontem, o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado do Ceará iniciou o calendário de paralisação nas unidades de saúde para reivindicar a atualização da proposta do Plano de Cargo, Carreira e Salário (PCCS) da saúde enviada em abril último ao Governo do Estado.
No primeiro dia, o movimento foi realizado nas três unidades do CEO (Centro, Rodolfo Teófilo e Aldeota). Os profissionais paravam duas horas e trabalhavam uma, repetindo essa operação durante todo o dia. O mesmo deverá ocorrer hoje, 15, no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce). O calendário de paralisação será encerrado no próximo dia 29, no Posto de Saúde Meireles.
Maria de Oliveira Alves, da diretoria do sindicato, diz que a categoria luta pelo PCCS desde 2006 e se não houver negociação poderá ser decretada greve. Na atual administração foi criada uma mesa de negociação, mas, segundo a servidora, até agora os trabalhadores não tiverem resposta da proposta de atualização. "Queremos discutir o plano e há mais de dois meses estamos esperando uma negociação." José Airton Lucena Filho, coordenador geral do sindicato, observa que os trabalhadores da saúde estão mobilizados.
No CEO Centro, a diretora Silvana Furtado, observa que tentou sensibilizar alguns profissionais para prosseguir com atendimento, principalmente, dos pacientes que fazem tratamento especializados. No serviço são atendidas em torno de 600 pessoas por dia. "A população não pode ser penalizada." A emergência odontológica funcionou normalmente. Márcia Santos afirma que chegou de madrugada para marcar uma extração, mas só conseguiu atendimento às 9h30min.
Arruda Bastos, secretário-executivo da Saúde do Estado, explica que o PCCS foi apresentado na mesa de negociação do Sistema Único da Saúde (SUS) da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) e depois encaminhado à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), onde está sendo analisado por uma comissão formada por representantes de várias secretarias. "Ainda não temos definição dos estudos."
CALENDÁRIO DE PARALISAÇÃO
-Hoje, 15:
-Amanhã, 16: Hospital Infantil Albert Sabin
-Quinta-feira,17: Hospital de Messejana
-Dia 21: Hospital São José
-Dia 22: Instituto de Prevenção do Câncer e Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão e Laboratório Central
-Dia 23: Hospital de Saúde Mental
-Dia 29: Posto de Saúde Meireles
Fonte: Mova-se
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