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Fortaleza

JUIZ

Pecy morre de parada cárdio-respiratória

Flávio Pinto
da Redação

Morreu ontem, no Hospital da Unimed, o juiz aposentado Pedro Pecy Barbosa de Araújo. O magistrado ficou conhecido nacionalmente pela morte de um vigilante de supermercado em Sobral, em 2005. O juiz sofreu uma parada cárdio-respiratória


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09/07/2008 01:00

Pecy Barbosa tinha 57 anos (Foto: Fco Fontenele)
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Pecy Barbosa tinha 57 anos (Foto: Fco Fontenele)

Uma semana depois de ser internado com problemas cardíacos, o juiz aposentado Pedro Pecy Barbosa de Araújo, 57, morreu no final da tarde de ontem, no Hospital da Unimed, em Fortaleza, vítima de parada cárdio-respiratória. Até o final da noite passada, o corpo do juiz permanecia no necrotério do hospital sendo velado pela filha e esposa, além de outros familiares. O hospital não divulgou nota oficial sobre a morte, mas dois médicos que estavam de plantão confirmaram ao O POVO a causa da morte.

Pecy Barbosa havia sido condenado a 15 anos de prisão pela morte do vigilante José Renato Coelho Rodrigues, assassinado com um tiro na cabeça dentro de um supermercado em Sobral há três anos. Como havia cumprido mais de 1/6 da pena, o magistrado tinha ganho no fim do mês passado, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o direito de responder em regime de semi-liberdade pelo assassinato do vigilante. A decisão, no entanto, não chegou a ser comunicada à Vara de Execuções Criminais.

O juiz aposentado havia sido socorrido às pressas do quartel do Corpo de Bombeiros para o Hospital da Unimed, entre a noite do último dia primeiro e a madrugada do dia dois, com fortes dores no peito. Pela manhã, devido ao quadro clínico ter se agravado, acabou sendo internado na UTI, onde permaneceu até a tarde de ontem.

O assassinato do vigilante José Renato Coelho ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2005, em Sobral, dentro do supermercado onde a vítima trabalhava. As câmeras do local gravaram o momento em que Pecy, na época juiz da 2ª Vara da Comarca de Sobral, discute com Renato e, em seguida, saca da arma e atira na nuca do vigilante. O caso ganhou repercussão nacional.

No dia 29 de setembro de 2005, o desembargador Ernani Barreira condenou Pecy a 15 anos de prisão em regime fechado, mas ele continuou recebendo uma aposentadoria de R$ 16 mil. Diferente da maioria dos presos do Estado, que cumprem pena no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), Pecy ficou em cela especial no quartel do Corpo de Bombeiros graças a dois pedidos especiais de anulação de condenação.

No hospital, na noite de ontem, O POVO tentou falar com familiares do juiz. Porém, nem a filha e nem a esposa, ainda consternadas, não quiseram se pronunciar. O corpo do juiz será velado hoje na funerária Paz Eterna, na rua Júlio Siqueira, no bairro Dionísio Torres. O local do enterro não foi divulgado pelos familiares.


ENTENDA O CASO

27/2/2005 - Pedro Pecy Barbosa de Araújo, 60, juiz da 2ª Vara da Comarca de Sobral, executa com um tiro de revólver na nuca o vigia José Renato Coelho Rodrigues, 32, dentro do supermercado onde a vítima trabalhava. O crime foi filmado pelas câmeras do circuito interno do local e o caso ganhou repercussão nacional.

1/3/2005 - Depois de ter passado um dia foragido e acompanhado de advogados, Pecy se apresenta ao Tribunal de Justiça. Desde então ele passa a ficar preso no quartel do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza.

11/3/2005 - O desembargador Edmilson Neves da Cruz, sorteado para acompanhar o inquérito, entrega o relatório à Procuradoria Geral de Justiça, que denuncia Pecy por homicídio duplamente qualificado.

19/4/2005 - O Tribunal de Justiça acata por unanimidade a denúncia do Ministério Público contra Pecy, mas ele não comparece à sessão alegando problemas de saúde.

13/05/2008 - Em entrevista exclusiva ao O POVO, Pecy revela que não estava consciente no momento do assassinato e afirma não ser o monstro que todos pensam. Ele também afirma que deseja ser julgado pelo ato cometido, não como juiz.

12/9/2005 - É marcado para o dia 29 o julgamento de Pecy. Em agosto, uma bateria de exames comprovou que ele possui boa saúde, mas apresenta um distúrbio mental.

29/9/2005 - Por unanimidade, Pecy é condenado a 15 anos de reclusão em regime integralmente fechado no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS) pela morte de Renato Coelho. Ele também perde as funções de magistrado.

3/11/2005 - Mesmo perdendo as funções de juiz, ele consegue judicialmente o direito de receber aposentadoria no valor de R$ 16.199,09, correspondente a 90% do que ganhava como juiz em Sobral. Da aposentadoria, Pecy retira R$ 1.950,00 mensalmente, dinheiro destinado à pensão de Breno Coelho, 7, filho do vigilante assassinado.

28/12/2005 - Os advogados de Pecy recorrem da decisão de TJ e pedem a anulação da sentença. A medida garante que, enquanto não for julgada, o juiz aposentado cumpra pena no Quartel dos Bombeiros.

27/02/2008 - Três anos após o crime, os familiares da vítima realizam uma missa para lembrar a morte de Renato Coelho e cobram a ida de Pecy ao IPPS

13/06/2008 - O Superior Tribunal de Justiça determina que Pecy pode deixar o regime integralmente fechado e migrar para a semi-liberdade, recolhendo-se ao quartel dos bombeiros somente nos fins de semana. Ele já havia cumprido 1/6 (dois anos e meio) de pena de 15 anos.


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Comentários

O ato praticado pelo então juiz Percy Barbosa foi insano e injustificavel, porém,qualquer um de nós pode, com a mesma condição e na mesma situação, poderia praticar tal ato.alí foi uma mistura de arrogancia e álcool.Arrogancia em função do cargo público que exercia somado a adição de alcool.O ato praticado pelo DR. Percy o torna um criminoso, mas longe de ser um indivíduo de alta periculosidade como muitos disseram(respeitando a dor da família do vigilante).Que todos descanse em paz !!!!

alano jorge menezes de freitas

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Respeitada a dor da família, principalmente dos filhos, é uma morte que veio em boa hora, uma vez que a Justiça deste país é uma vergonha sob todos os sentidos. Jamais a família do pobre vigilante iria vê-lo enjaulado de verdade. Matou à queima roupa, valeu-se da prisão especial que perdura enquanto não transita em julgado uma sentença condenatória, e, por fim, fez jus a aguardar o recurso em semi-liberdade. Esse país não existe. Agora Doutor, nosso Chefe lá de cima o aguarda para acertar contas, e com mão de ferro.

Aristóteles Tavares Leite

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A morte do juiz Percy é um alento para a sociedade e para a família do vigilante morto de formas brutal.A sua morte serve para mostrar q a justiça divina existe.

Daniel

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Realmente uma pena, não queria que tivesse acontecido isto. Eu queria mesmo era vê-lo mofar em uma sela. Ruminando o resto da vida a arrogância que ele tinha.

Amarílio José Dantas

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Alguns acham que ela não existe, mas caro colega leitor, ela existe: A "Lei do Retorno". Aqui se faz, aqui se paga! Portanto, caro colega leitor, reflita bem, mas bem mesmo antes de fazer uma besteira. Justiça foi feita!

Luiz Alberto Guimarães Costa

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Somente Deus, que perscruta os corações, sabe profundamente os reais motivos que levaram Pecy a cometer tal delito, pois conhece plenamente a sua história, as suas fraquezas, as suas limitações. Assim como o perdão de todos os nossos pecados, cabe somente a Deus o devido julgamento. ?Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros; antes, cuidai em não pôr um tropeço diante do vosso irmão ou dar-lhe ocasião de queda.? Rm 14,13. Que Deus o tenha, na Sua infinita misericórdia, e transmita a paz seus familiares. ?Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.? Rm 5,20 Que o Senhor possa levar à família de José Renato o alívio, o consolo do Pai. ?Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.? Mt 11,28

EDSON FERNANDO LOPES DE SOUSA GADELHA

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Só porque morreu agora todo mundo quer ter pena! Assassino covarde, arrogante e ciente da sua impunidade já q pertencia a um Poder do Estado em q a população não confia quando se trata de julgar ricos, poderosos, influentes e seusm proprios membros. Que o inferno o receba bem! Festejemos sem remorso! E que se constante q o fato é verdade, pois nesse país, quem tem acesso a advogados, juizes, magistrados é bem capaz de simular a propria morte e sair lépido e fagueiro com outra cara e outros documentos. Ou isso já não aconteceu?

Cicero

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Que o satanás esteja com ele.

PETRONIO SANTANA FERREIRA

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Gostaria de esclarecer o significado de periculosidade ao Sr. Alano Jorge. Segundo o Aurélio, periculosidade é conjunto de circusntâncias que indicam a probabilidade de alguém praticar ou tornar a praticar um crime. Gostaria que o Sr. Alan também me tirasse desta estatística absurda que ele mesmo criou no qual qualquer um de nós com álcool e arrogância poderia matar uma pessoa. Periculoso é então, pelo que o senhor diz, alguém pobre, morador da periferia ou de favela e que mate ou roube. Tirar a vida de uma pessoa é o bastante. Lamento ter gente que consiga ainda pensar desse jeito, onde rico ou com status social não pode ser encarado como criminoso.

Régis Luz

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