02/07/2008 00:34
As marcas no braço e na testa do estudante de 23 anos não o deixam esquecer. Há alguns anos, estava dirigindo, depois de ter bebido, acima da velocidade permitida. Ao tentar desviar de uma moto, perdeu o controle do carro e bateu em um poste. Foram vários dias de internação e de recuperação. Mesmo depois do acidente, ele não dispensa uma cervejinha com os amigos. Mas continua dirigindo depois. "Só que agora, quando eu bebo, eu só dirijo bem devagar".
Segundo o psicólogo João Ilo Coelho Barbosa, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), as pessoas que nunca tiveram uma experiência como a do estudante, ou conheçam alguém muito próximo que teve, não esperam que aquilo um dia aconteça com elas. "Elas não têm na experiência de vida uma conseqüência de beber e dirigir. Se eu faço e aquilo me traz algum tipo de prazer ou vantagem, eu continuo fazendo até que aconteça uma experiência negativa, como uma multa ou até mesmo um acidente".
Ele explica que isso só é diferente se a pessoa tem um histórico de cumprir regras sempre à risca. "O comportamento das pessoas não é controlado só pelo verbal. Dizer o que eu devo ou não fazer ou ver algo que aconteceu na TV não adianta. O que vai controlar é a minha história de vida, o que eu aprendo com a realidade. Por isso, é importante investir em fiscalização e multa. Quando isso acontecer, a coisa muda", completa.
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