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PROFESSOR

Satisfeitos, mas desvalorizados

Duas pesquisas recentes revelam o que os professores pensam sobre sua profissão. A maioria dos entrevistados (56,9%) diz estar satisfeita com o trabalho. O problema, afirmam, é a falta de reconhecimento da sociedade

Ricardo Moura
da Redação

19 Mai 2008 - 00h42min

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Ângelo Terceiro é professor de História e diz que motivação vem  de saber que o conhecimento gera cidadania(Foto: DÁRIO GABRIEL)
Você está satisfeito com o seu trabalho? Uma pesquisa realizada em sete Estados (incluindo o Ceará) pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e a Fundação SM revela que 56,9% dos professores brasileiros estão. Por outro lado, 79,5% dos entrevistados consideram que a sociedade não valoriza os professores. O POVO mostra, nesta edição, como os profissionais da educação lidam com esta dupla realidade.

De acordo com a pesquisa, os profissionais da rede particular estão mais satisfeitos do que o da rede pública, 71,1% contra 42,4%, respectivamente. Os educadores veteranos consideram suas condições de trabalho melhores (69%) do que os que estão há menos tempo na profissão (56,9%). Participaram da pesquisa 3.584 professores de 89 escolas públicas e particulares dos estados do Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ângelo Terceiro,42, trabalha como professor de História no colégio Lourenço Filho. Depois de 20 anos atuando na mesma área, ele se diz satisfeito com o seu trabalho. De acordo com seu relato, a sua principal fonte de motivação é saber que o conhecimento transmitido em suas aulas irá levar à formação da cidadania de seus alunos. Mesmo cursando Direito atualmente, Ângelo garante que não mudará de profissão e que continuará ensinando.

A mesma certeza tem a professora de Química Nívia Pessoa,29, novata no ramo. Há "quase um ano" trabalhando na escola estadual Adauto Bezerra, ela afirma ser muito gratificante ver os alunos aprenderem. O ingresso de Nívia no mundo da educação não se deu por falta de opções. Antes de atuar nas salas de aula, ela trabalhou na área de pesquisa e em uma indústria química. "Gosto muito de ensinar e não pretendo mais sair da Educação. Não tem nada que deixa um professor mais feliz do que um aluno tirar um nota nove em sua prova".

Embora vivam realidades bastante diferentes na carreira, Ângelo e Nívia concordam em um ponto: a sociedade valoriza pouco o seu ofício. "Ainda falta muito para que a sociedade busque um maior reconhecimento para uma profissão de tanta importância", lamenta o professor.

Análise
Para Idevaldo Bodião, ex-secretário municipal da Educação e professor da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Ceará (UFC), essa percepção dos professores encontra respaldo no dia-a-dia. "A sociedade, hoje, não valoriza o professor. Se você voltar há 40, 50 anos, a figura do professor era muito diferente. O professor tinha outro status social. A sociedade brasileira não valoriza a educação. Ou melhor, valoriza, mas desde que não tenha de gastar dinheiro. Todo mundo defende a educação, mas não se consegue aprovar um tostão a mais para esse setor".

O especialista alerta ainda para a dificuldade em se formar novos profissionais. "Estamos no mundo do desemprego, mas sempre haverá necessidade de professores. Um professor de Física sempre vai conseguir um emprego, seja onde for. No entanto, não há uma explosão de procura nessa carreira. Ela não atrai. A família não reconhece, a sociedade não reconhece essa profissão. É preciso criar uma perspectiva de carreira que possa seduzir um aluno brilhante do ensino médio para que se torne um professor".

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ricardomoura@opovo.com.br

DADOS DA PESQUISA

Satisfação

71,1% dos professores da rede particular de ensino estão satisfeitos com seu trabalho.
4
2,4% dos professores da rede pública de ensino estão satisfeitos com seu trabalho.

Docentes com mais de 30 anos estão mais satisfeitos (69%). Docentes com menos de 3 anos têm nível de satisfação menor(56,9%).

Motivação
65,9% dos entrevistados não deixariam o ensino mesmo que pudessem.
53% disseram que são professores hoje porque gostam de ensinar.
54,2% acham que a educação piorou bastante ou muito.

Reconhecimento
79,5% acham que não são valorizados pela sociedade.
76,7% afirmam não serem valorizados pelos órgãos responsáveis pela educação.
51% não se sentem valorizados pelos pais dos alunos.


Fonte: OEI e Fundação SM

Que professor você é?

Uma outra pesquisa, realizada pelo Ibope e pela revista Nova Escola, classifica os profissionais da educação em cinco perfis diferentes. Veja em qual você se enquadra, a partir dos itens abaixo:

Apaixonado (têm boa qualidade de vida, são felizes e menos estressados):
1. Avaliam bem a qualidade da sua formação inicial.
2. Acreditam que os cursos de formação continuada ajudam a preparar para a realidade de sala de aula.
3. Avaliam melhor a educação no Brasil hoje e daqui a 10 anos.
4. Se sentem responsáveis pelo papel da escola na sociedade atualmente.
5. Estão satisfeitos com a profissão.
6. O amor à profissão e o desejo de mudança são as principais motivações para dar aula.
7. Avaliam bem a própria aula.

Sobrecarregado (possui uma maior carga horária que o restante dos profissionais, está mais exposto à violência)
1. Gastam maior tempo se deslocando entre escolas.
2. 25% dão aula de manhã/tarde/noite.
3. 40% dão aula à noite.
4. Grupo com maior percentual de pais com ginásio incompleto.
5. A principal motivação para dar aula é contribuir para um mundo melhor.
6. Têm maior percentual de alunos com problemas de aprendizado e envolvimento com drogas.

Acomodado (entrou na profissão por acaso, para ter uma fonte de renda)
1. Realizam outro trabalho remunerado.
2. A estabilidade, o salário e os benefícios são as principais motivações para dar aula.
3. Não utilizam informação de mídia em sala de aula.
4. Para 50%, aluno interfere negativamente no aprendizado.

Frustrado (não consegue ser professor e, ao mesmo tempo, culpa a família do aluno)
1. 57% acham que a família interfere negativamente no aprendizado do aluno.
2. Maior número de pós-graduados.
3. Principal problema na sala de aula é a falta de participação dos pais.
4. Maioria concentra-se na Região Nordeste.
5. Estão insatisfeitos com nível de aprendizado dos alunos, relação com os pais de alunos, relacionamento com os superiores e os recursos didáticos.

Profissional (privilegia o lado racional da profissão versus o afetivo)1. Grupo cuja formação inicial melhor preparou para a realidade da sala de aula.
2. Estão insatisfeitos com o apoio da coordenação da escola, a falta de liberdade de exercer atividades em sala de aula e o relacionamento com os superiores.


Fonte: Ibope/Nova Escola.

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