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Fortaleza

BEZERRA DE MENEZES

Avenida é corredor de furtos e roubos

Não são só grandes assaltos ou brigas de flanelinhas que terminam em morte na avenida Bezerra de Menezes. Lá, um corredor de serviço sofre com furtos e roubos

Raquel Chaves
da Redação

17 Mai 2008 - 01h16min

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Nos últimos cinco meses, um assaltante foi morto durante o roubo de um malote com R$ 100 mil, em frente a uma agência bancária, enquanto outro fugiu com o dinheiro. Um terceiro, dois meses antes, foi linchado por algumas pessoas durante uma tentativa de assalto. O mesmo tipo de crime, poucos dias antes, roubara a vida do oftalmologista Francisco Waldo Pessoa de Almeida e de outro assaltante. Na mais recente ocorrência grave, um flanelinha matou outro na última quarta-feira. O cenário para todos os crimes: avenida Bezerra de Menezes.

Os crimes de natureza grave naquela conhecida e abarrotada via de Fortaleza já são bem conhecidos da população. Mas outras contravenções penais também incomodam dia-a-dia quem precisa da avenida para sobreviver, seja como moradia ou como ponto de trabalho: furtos e roubos estão entre os crimes mais praticados ao longo da via. "O comércio ferve a toda hora. Os marginais saem das ruas secundárias e vêm aqui só roubar. Nem na favela que eu moro é assim", lamenta o auxiliar-administrativo Chagas Nascimento, que há cinco meses trabalha em um prédio comercial homônimo à avenida.

Segundo Chagas, o sub-síndico do prédio onde trabalha foi morto nas imediações, "por causa de um celular". Os furtos também são constantes e à luz do dia, à mão armada ou não. Na praça Farias Brito, mais conhecida como praça do Otávio Bonfim, qualquer dono de banca ou freqüentador do espaço diz o mesmo. "Tem gente que sabe até o nome e quase tudo sobre eles. Muitos já são até conhecidos da Polícia", aponta Vanderli Oliveira Batalha, 42, que tem um ponto na praça desde 1987.

Oliveira explica que o mais comum por ali são pequenos furtos. Na igreja Nossa Senhora das Dores, a poucos metros, os fiéis lidam com o problema rotineiramente. Ao lado da igreja funciona a sede da Secretaria Executiva Regional (SER) II. Os carros dos funcionários que sempre eram estacionados ao redor da praça tiveram de mudar de lugar. "Todo dia era carro aberto com objetos furtados", diz Vanderli. Segundo ele, os próprios funcionários tomaram a iniciativa de alugar um espaço nas proximidades como estacionamento.

A reclamação de muitos moradores e freqüentadores da avenida é relativa ao horário de funcionamento do 3º Distrito Policial (DP). "Lá só fica aberto até 5, 6 (horas) da tarde. Pode ter alguém é morrendo aqui, que a gente tem que ir pra outra delegacia mais longe. Quem ajuda a gente mesmo é o Ronda (do Quarteirão). Eles estão sempre circulando", reclama Vanderli Oliveira.

Mas nem a presença diária do Ronda afasta totalmente os criminosos. Segundo o titular do 3º DP, Wagner Diniz, pelo menos quatro Boletins de Ocorrência (BOs) relativos a furtos são registrados todos os dias na delegacia. "Eles roubam principalmente celular, pra comprar crack", sustenta o delegado. Ontem, segundo ele, mais de 30 detentos ocupavam as celas do 3º DP, "quase todos aqui da área". E quase todos por furto e roubo. A estudante Rafaela Lima, 17, foi uma das vítimas recentes: "Eu vinha do colégio aqui para a parada de ônibus (em frente ao North Shopping), quando um cara me pediu o celular e meu estojo. Eu dei". Eram 11h30min. Avenida lotada. De veículos, transeuntes e ladrões.


SERVIÇO

Em relação a crimes cometidos na avenida Bezerra de Menezes, podem ser acionados o 3º DP (3101-2229) ou o Ronda do Quarteirão (9206-0313). Outros números das viaturas do Ronda atuantes na região podem ser obtidos pelos telefones 3101-3552 ou 190 (gratuito).

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