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Fortaleza

ASSALTO COM REFÉNS

Depois do susto, Narciso Oliveira retorna à rotina

Depois de uma manhã conturbada que movimentou ontem o bairro Parquelândia, a Abbem voltou à rotina de trabalho. A tentativa de assalto, que durou duas horas, pôs em perigo a vida de 21 reféns


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16/05/2008 00:29

Narciso manteve a calma durante a tentativa de assalto (Foto: EVILÁZIO BEZERRA)
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Narciso manteve a calma durante a tentativa de assalto (Foto: EVILÁZIO BEZERRA)

Luiz Narciso Coelho de Oliveira é evangélico, casado, pai de duas filhas adultas e muito tranqüilo. Quando acordou cedo na última quarta-feira para mais um dia de trabalho na Parquelândia, o pedagogo e bacharel em Direito que está prestes a completar 52 anos não imaginava que sua calma rotina seria completamente alterada. No cenário: escritório, dois assaltantes armados, 21 reféns e um revólver apontado em sua cabeça durante quase duas horas. Atenuando os possíveis efeitos do nervosismo dos ladrões, foi a tranqüilidade de Narciso a principal responsável pela história ter tido um "final feliz".

O senhor calvo e de barba grisalha nunca havia passado por ocasião semelhante. Alguns fortalezenses submetidos a situações de violência não tiveram a mesma sorte e o que muitos chamam de "presença de espírito". A orientação "mantenha a calma e não reaja", comum em casos como esse, foi seguida à risca por Narciso, que é secretário-executivo da Associação Batista Beneficente e Missionária (Abbem), onde houve a tentativa de assalto. "A gente precisa ter muita calma. Não ficar nervoso, não tentar correr, não se mover bruscamente", ensina.

O perfil profissional do pedagogo contribuiu para o desfecho tranqüilo. "Eu lido muito com isso: trabalho com atos infracionais há mais de 25 anos. Com meninos que usam drogas e praticam crimes. Tenho lidado com essa questão de violência a vida inteira", explica Narciso, que também milita na área dos direitos da criança e do adolescente. Ex-conselheiro tutelar, ele integra ainda o Conselho Estadual da Criança e o Conselho de Segurança Pública do Estado do Ceará.

"O pior momento foi quando eles perceberam que a polícia havia chegado. Na hora, um deles me disse que iria matar todo mundo. Eu disse a ele que não fizesse isso, que ele ainda era muito novo". Segundo Narciso, o assaltante de 29 anos dizia que sua vida havia acabado e que sua mãe e sua mulher não o perdoariam quando o vissem na televisão. Por interferência de Narciso, isso não aconteceu.

O intermediador manteve a calma em todos os momentos: tranqüilizou os assaltantes (que passaram a tratá-lo por "senhor"), ofereceu-lhes água, conversou com os policiais através do interfone da associação. Prometeu que nada aconteceria com ninguém. Fez os bandidos se entregarem, sem qualquer violência física de ambos os lados. As armas foram descarregadas e entregues nas mãos de Narciso - o mesmo que autorizou a entrada da polícia. Ninguém saiu ferido. Depois de presos, Reginaldo e Ronaldo de Carvalho saíram na viatura do Comando Tático Motorizado (Cotam). Na delegacia, pediram perdão a Narciso, um cidadão comum que voltou hoje à rotina no cruzamento das ruas general Piragibe e Padre Guerra. (Raquel Chaves)


Para reler a matéria sobre o assalto com reféns, acesse: www.opovo.com.br/opovo/fortaleza/788879.html

ENTENDA O CASO

Era pouco mais de 10 horas da última quarta-feira, 14, quando os irmãos Reginaldo, 29, e Ronaldo de Carvalho Barros, 31, tocaram a campainha da Associação Batista Beneficente e Missionária (Abbem), na Parquelândia. Inventaram uma pendência no departamento de recursos humanos e foram autorizados a entrar. Lá dentro, trabalhavam 21 funcionários. Os dois anunciaram o assalto.

Escondida, uma das vítimas ligou para o marido, que entrou em contato com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). Com a Polícia lá fora e dois quarteirões isolados, os 21 funcionários viraram reféns. Com o intermédio de um dos reféns, Narciso Coelho, a negociação começou pelo interfone.

Depois de quase duas horas, os assaltantes concordaram em se entregar. A pistola e o revólver foram entregues descarregados para Narciso e os assaltantes saíram na viatura do Comando Tático Motorizado (Cotam), que foi buscá-los na garagem fechada da casa, por exigência deles.


Fonte: edição de ontem do O POVO


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