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Fortaleza

ADULTERAÇÃO DE LEITE EM PÓ

Empresário é preso acusado de fornecer notas frias

Nicolau Araújo
da Redação

Sete pessoas são presas em cinco estados, pela PF, por adulteração de leite em pó, notas fiscais frias e corrupção. Um dos mandados foi cumprido em Fortaleza, no bairro do Cocó. Empresário gaúcho foi detido


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16/05/2008 00:29


Um empresário gaúcho, que mora há cinco anos em Fortaleza, foi preso pela Polícia Federal, na manhã de ontem, no bairro do Cocó, por conta da Operação Lactose, deflagrada em cinco estados brasileiros, que investigou durante um ano a adulteração de leite em pó integral, falsificação de notas fiscais, sonegação de impostos e corrupção a servidores públicos. Segundo a PF, Augusto Osmundo Rei Filho é proprietário da empresa Via Lacta, no Eusébio, na Região Metropolitana, e forneceria notas fiscais frias à empresa paraibana Big Leite Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. Além do mandado de prisão em Fortaleza, outros seis foram cumpridos na Paraíba, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina.

De acordo com as investigações da PF, a empresa paraibana comprava leite em pó em grande quantidade e empacotava o produto para a venda a varejo no comércio. A fraude acontecia na mistura ao produto de um soro fabricado no Nordeste. Enquanto o Ministério da Agricultura admite no máximo a presença do soro em 30mg, por litro, a substância era misturada ao leite em 50%. De acordo ainda com a PF, para encobrir a quantidade do soro no leite, a empresa paraibana conseguia junto às empresas Via Lacta (CE), Milkly (BA), Avesul (SC) e Sanita (SC) notas fiscais frias, como se o soro tivesse sido adquirido como leite em pó.

Segundo ainda as investigações da PF, após a fraude fiscal, a empresa paraibana teria então que ter o produto aprovado pelo laboratório oficial do Ministério da Agricultura, em Pernambuco. Foi quando fiscais passaram a ser corrompidos para a liberação das cinco marcas de leite em pó, todas empacotadas pela empresa paraibana: Big Leite, Só Beber, Bom du Leite, Cilpe e Naturesse. Os fiscais trocavam as amostras do produto adulterado por leite de boa qualidade. Por determinação da Justiça, todas as marcas já foram recolhidas das prateleiras dos supermercados em todo o País.

A Operação Lactose foi centrada na cidade de João Pessoa (PB). Um delegado e dois agentes da Polícia Federal da Paraíba realizaram a prisão do empresário gaúcho, em Fortaleza, com apoio dos policiais federais do Ceará. O delegado também apresentou dois mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos no apartamento do empresário e na empresa do Eusébio. Ele foi interrogado na superintendência do órgão, no Bairro de Fátima, e hoje deverá ser encaminhado a João Pessoa.

A maioria dos mandados foram cumpridos na Paraíba, nas cdades de João Pessoa, Alhandra e Cabedeiro. Foram presos Carlos Jose Scorel, Evandro Soares Reis e Carlos Batista Culao. Na Bahia, os policiais prenderam Cristina Malveti, enquanto Noeli Joris foi detida em Santa Catarina. Uma outra prisão foi mantida em sigilo, como forma de não atrapalhar as investigações.

E-MAIS

Segundo o Ministério da Agricultura, as crianças e as pessoas da terceira idade seriam as mais prejudicadas com a adulteração do leite em pó. Além de o produto ser pobre em nutrientes, poderia causar reações alérgicas e comprometer a saúde de consumidores com diabetes, diante da adição de açúcar e maltodextrose, que dariam sabor ao soro.

A Big Leite já havia sido investigada em duas ocasiões pela Polícia Federal, no ano passado, por contaminação do produto.


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