Fátima Guimarães
da Redação
De acordo com a Emlurb, existem em torno de 1,2 mil de pontos de lixo em Fortaleza, ambientes que ameaçam o controle da epidemia de dengue na cidade. A solução por enquanto é recolher a sujeira deixada em áreas públicas
16/05/2008 00:29
O controle da dengue em Fortaleza está complicado. Na Cidade, que enfrenta uma epidemia da doença, existem muitos ambientes favoráveis a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Entre eles, estão os 1,2 mil pontos de lixos espalhados por todos os bairros, segundo a Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb). Esse problema, aliado aos criadouros mantidos dentro de casa e nos quintais, pode tornar realidade o prognóstico de aumento de casos depois da diminuição gradativa das chuvas. Pelo menos a curto prazo, a única solução para acabar com as rampas é com a ajuda da população.
O descaso da comunidade com a saúde é grande. Um exemplo dessa situação é Messejana, onde há mais registro da doença este ano na Capital. No bairro, 630 pessoas tiveram a doença este ano. Mesmo assim, parece que esse quadro não é real. Lá, existem diversos pontos de lixos. Nesses locais, o que não faltam são objetos que podem se transformar em criadouros do mosquito como cascas de coco, ovos, copos descartáveis, garrafas plásticas, bacias. Há um mês O POVO esteve no bairro e constatou a existência de ambientes que ameaçam o controle da dengue.
Crítica
Segundo os moradores, há quem venha de longe depositar os entulhos nas vias públicas. Eles ressaltam que o caminhão recolhe diariamente o lixo, mas em seguida, o local volta a ficar sujo. "A gente fala, reclama, mas só recebe desaforo," ressalta a dona-de-casa Luciana dos Santos. Na casa dela, os dois filhos e o marido tiveram dengue recentemente. Ontem, ela teve de andar pela pista porque todo o espaço, onde deveria ser uma calçada, estava ocupada por lixo.
Na rua Nicolau Coelho com rua Letícia, também em Messejana, a situação é crítica. A funcionária de uma churrascaria próxima a esse cruzamento, Luciana Ferreira, diz que a sujeira incomoda a clientela, além de ser prejudicial á saúde. "Eu ainda não tive dengue, mas lá em casa tiveram a mamãe e minha avó." Logo adiante, outra rampa. É na rua John Lennon. Pelo bairro são vários locais na mesma situação. "Lixo aqui?. Em todo o canto", respondem os moradores.
Fiscalização intensa por parte da Prefeitura e consciência ambiental da comunidade são soluções apontadas por quem mora ou morou perto de um ponto de lixo. A aposentada Dinavan Mota diz que manter o fiscal é importante, mas primeiro é preciso conscientizar os moradores. "Sujeira traz todo tipo de doença".
O arquiteto João Paulo Araújo Neto pode contemplar do portão da casa o jardim que substituiu o lixo que era depositado em plena rua Solon Pinheiro, próximo ao número 1.143. Ele participou da luta dos moradores para deixar a área limpa. O trabalho foi por etapas: limpeza, fiscal no local e arborização do trecho. "Uma solução simples que deu resultado com ajuda é de todos que moram aqui."
SERVIÇO
Pelo telefone 0800 851531 a população pode denunciar a existência de pontos de lixo em Fortaleza
E-MAIS
Uma nova missão para os carteiros da Capital. A partir de junho, os profissionais estarão capacitados para trabalhar no combate à dengue. A Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) fechou, no Ceará, uma parceria com as secretarias Municipal (SMS) e Estadual (Sesa) da Saúde para o engajamento.
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O problema da dengue é de todos. O problema do lixo é de todos. Os problemas de Fortaleza são de todos. Mas, à frente de todos os problemas, deveria estar a Prefeitura. A populaçao está cansada de ser responsabilizada e penalizada pela Prefeitura por todas as mazelas de Fortaleza. Se há lixo nas ruas, é a população que joga. Se há epidemia de dengue, é a população que proporciona os criadouros. Se há caos no trânsito, é a população que não sabe dirigir. Se há queda de arquibancada no Carnaval, é a população que engordou demais... E a Prefeitura, qual a "mea-culpa" dela? Não há campanhas educativas, não há investimentos em infra-estrutura, não há seriedade na contratação de serviços terceirizados, mas sobra demagogia. Cuidado, prefeita, é essa mesma população que a senhora espera contar em outubro...
antônio sinfrônio