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Fortaleza

TENTATIVA DE ASSALTO

Assaltantes fazem 21 pessoas reféns

Mariana Toniatti e Lucinthya Gomes
da Redação

Terminou bem a tentativa de assalto de dois irmãos que invadiram armados a Associação Batista Beneficente e Missionária. Os 21 funcionários fora feitos reféns


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15/05/2008 00:55

O secretário-executivo da Abbem, Narciso Coelho, teve de trocar de camisa com um dos assaltantes que invadiram a associação na Parquelândia
(Foto: EVILÁZIO BEZERRA)
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O secretário-executivo da Abbem, Narciso Coelho, teve de trocar de camisa com um dos assaltantes que invadiram a associação na Parquelândia (Foto: EVILÁZIO BEZERRA)

Era pouco mais de 10 horas quando os irmãos Reginaldo, 29, e Ronaldo de Carvalho Barros, 31, tocaram a campainha da Associação Batista Beneficente e Missionária (Abbem), na Parquelândia. Bem vestidos e usando máscaras hospitalares, inventaram uma pendência no departamento de recursos humanos e foram autorizados a entrar. Lá dentro, trabalhavam 21 funcionários. Os dois anunciaram o assalto e começaram pelo segundo andar. Relógios, celulares, dinheiro e jóias foram recolhidos. Escondida, uma das vítimas ligou para o marido, que entrou em contato com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops).

"A chegada da primeira viatura foi muito rápida, contínua à ligação. O coronel Julio Aquino, sub-comandante do Batalhão de Choque, passava na rua de trás e deu início às negociações", conta o titular do Comando da Polícia da Capital, Sérgio Costa. Com a Polícia lá fora e dois quarteirões isolados, os 21 funcionários viraram reféns. "Fazia uns 15 minutos que eles estavam lá dentro. Tínhamos acabado de descer para o primeiro andar quando os assaltantes viram a viatura da janela. Nessa hora ficaram nervosos", conta o secretário-executivo da Abbem, Narciso Coelho. Pelo interfone, a negociação começou.

Exigências
A primeira exigência era um carro para fuga. Sairiam os dois bandidos e um refém. Um dos assaltantes chegou a trocar de camisa com Narciso. Os irmãos pediram a presença do advogado e acabaram mudando de idéia. Concordaram em se entregar, mas exigiam a retirada do helicóptero que sobrevoava a área e garantias de que a prisão seria feita dentro da casa, para evitar a imprensa. Depois de duas horas de conversa, a pistola e o revólver foram entregues descarregados para Narciso e os assaltantes saíram na viatura do Comando Tático Motorizado (Cotam), que foi buscá-los na garagem fechada da casa.

A Polícia comemorou a tranqüilidade da operação e o final feliz. "Correu tudo bem, ninguém saiu lesado. Não houve agressão, nem violência", disse o comandante Sérgio Costa. Uma senhora foi atendida na ambulância, mediu a pressão e voltou para dentro da casa. Ninguém quis conversar. Ainda estavam assustados. Para a Polícia correu tudo bem, mas para quem estava lá dentro, as duas horas não foram fáceis. Narciso foi a única vítima que falou com a imprensa. "Conversei com eles (assaltantes) desde o início. Disseram que iam matar todo mundo e eu pedi cuidado, tinham muitos pais e mães de família ali", conta Narciso.

Tensão
Ao avistarem a viatura, os bandidos conferiram um a um os celulares das vítimas, procurando nas chamadas efetuadas o número do Ciops. Queriam descobrir quem tinha avisado a Polícia. Além da funcionária que ligou para o marido, uma segunda funcionária, que passou despercebida numa sala meio escondida logo no início da abordagem, ligou para a outra sede da associação pedindo socorro. "Não telefonou direto por segurança, já pensando que o número ia ficar registrado", conta Narciso. No momento de maior tensão, os bandidos chegaram a ameaçar os reféns. "Disseram que se entrassem iam se matar, mas antes matavam uns. Deus nos deu tranqüilidade e a eles também e tudo terminou bem". Cinco minutos antes do meio-dia, a agonia acabou. Reginaldo e Ronaldo se entregaram.

E-MAIS

Nas imediações da rua Padre Guerra, na Parquelândia, não é difícil ouvir histórias de assalto. "Roubam celular, carro e mercearias pequenas toda hora", conta Raquel Maciel, 29, moradora do bairro. Há cerca de 7 anos, um assalto a um depósito de água localizado na mesma rua da Abbem terminou com a morte do filho do proprietário.

Em mais de uma ocasião, segundo moradores das proximidades, ladrões pegos em flagrante apanharam de civis na Parquelândia. "Já teve uma pisa bem aí. Quando pega um ladrão, aí pronto", conta Heloísa Helena Leão, vizinha da Abbem.

Ao sair da Abbem para conversar com a imprensa, Narciso Coelho deu três entrevistas ao vivo para programas de TV.

Uma emissora de TV esperou o desfecho das negociações no segundo andar de uma casa. Queria o melhor ângulo.

COMO ACONTECEU

1 - Os assaltantes tocaram a campainha na entrada da rua General Piragibe. Bem vestidos, disseram que precisavam resolver uma pendência no setor de recursos humanos e foram autorizados a entrar.

2 - Enquanto durou a negociação, os 21 reféns foram mantidos sentados na recepção da associação.

3 - Como exigiram os assaltantes, a prisão em flagrante foi feita dentro da casa. Os dois saíram já na viatura. Tudo para impedir que suas imagens fossem feitas pela imprensa.

O QUE DIZ A LEI

Roubo

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
3º - Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de 7 (sete) a 15 (quinze) anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, sem prejuízo da multa.


Fonte: Código Penal Brasileiro

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