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Fortaleza

RODOVIÁRIOS

Paralisação gera prejuízo de R$ 1,9 mi

Diego Lage, especial para O POVO, e Ricardo Moura
da Redação

Danos foram registrados em pneus, janelas e pára-brisas. Membros da Conlutas prestaram depoimento


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13/05/2008 00:10

Manifestação dos motoristas durou três dias e causou muitos transtornos aos fortalezenses(Foto: SEBASTIÃO BISNETO)
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Manifestação dos motoristas durou três dias e causou muitos transtornos aos fortalezenses(Foto: SEBASTIÃO BISNETO)

A paralisação dos motoristas de ônibus de Fortaleza resultou em um prejuízo de R$ 1,96 milhão para os empresários do setor. O número foi divulgado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus). O valor refere-se à perda na arrecadação, estimada em R$ 1,3 milhão por dia, e à depredação de 793 ônibus. De acordo com o sindicato patronal, foram quebrados 27 pára-brisas, 87 janelas e 920 pneus foram furados ou esvaziados.

A responsabilidade sobre os prejuízos materiais causados durante a greve dos rodoviários começou a ser apurada. Três integrantes da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas)prestaram depoimento na manhã de ontem, no 2º Distrito Policial (Aldeota). Valdir Pereira, Antônio Oliveira e Aristóteles Elmiro foram intimados a dar esclarecimentos sobre os danos aos ônibus e, também, sobre a paralisação. A Conlutas diz desconhecer a depredação de vidros e nega ter furado pneus.

Valdir classificou a greve como pacífica e afirmou que não houve ação por parte da coordenação contra o patrimônio das empresas. "A gente desconhece esses vidros quebrados. Não houve pneu furado. O que houve foi pneu esvaziado", desmente a versão apresentada pelos empresários. Segundo ele, o esvaziamento pode ter partido de rodoviários, de forma isolada e sem orientação da Conlutas, ou da população insatisfeita. "Se tiver sido um rodoviário, ele fez sem o nosso conhecimento", diz.

Aristóteles, por sua vez, nega que parte da categoria tenha sido impedida de trabalhar. Conforme ele, todos os que aderiram à greve agiram de forma espontânea. Em seu depoimento, afirmou que "baderneiros" de um outro movimento sindical foram os responsáveis por impedir a circulação dos ônibus nas imediações da avenida Duque de Caxias, no Centro. Já Antônio Oliveira reitera que a greve surgiu a partir da insatisfação dos rodoviários com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro) e que, em nenhum momento, o movimento perdeu seu caráter pacífico. "Basta olhar como eram as greves antes e como foi essa", ressalta.

O Sindiônibus quer a apuração da responsabilidade sobre os danos para que os culpados assumam as despesas. Também pretende cobrar os prejuízos causados em decorrência do que não foi arrecadado durante a paralisação. É o que adianta o advogado do sindicato, Cleto Gomes. Segundo ele, o Sindiônibus baseia-se em três artigos do Código Penal: 200, 201 e 262. O delegado-adjunto Francisco Quiroga não deu detalhes sobre o que já foi apurado, mas salienta que a investigação continuará e outras pessoas serão intimadas a depor.

Saiba mais

Artigo 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou contra coisa. Pena: detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Artigo 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo. Pena: detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Artigo 262 - Expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento. Pena: detenção, de um a dois anos.

E-MAIS

Os rodoviários realizaram assembléia durante o último sábado. Conforme Valdir, haverá uma nova assembléia no dia 24 para apresentar, à categoria, o que foi definido no período.

Caso não haja a nulidade da convenção trabalhista ou a abertura de negociações para um novo acordo, o dirigente afirma que há a possibilidade de uma nova paralisação. "Poderá, sim, haver uma greve. Vamos levar essa questão para a categoria e ver o que ela decide", informa.

O Sindiônibus reafirmou que só lhe é permitido tratar assuntos relacionados a negociação de salários e benefícios com o Sintro e que não poderá dialogar com nenhum movimento que não tenha representatividade legal.


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