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RESPONSABILIDADE

Sindicatos unidos contra Conlutas

Sindicalistas se eximem da responsabilidade sobre movimento que provocou o caos e acusam Conlutas de ter prejudicado a categoria

Ricardo Moura
da Redação

09 Mai 2008 - 00h19min

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Movimento começou na terça-feira no Papicu e durante o dia os demais terminais em Fortaleza também foram paralisados(Foto: MAURI MELO)
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Ceará (Sintro), único canal oficial de negociação entre empresários e funcionários, não reconhece o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Fortaleza (Sintrofor) como representante da categoria. O Sintrofor, por sua vez, apresenta-se aos motoristas como uma opção ao Sintro. Em uma coisa, no entanto, os dois sindicatos concordam: ambos são contrários à paralisação promovida pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) nos últimos três dias.

Para Edvando Porto, 36, presidente do Sintro, a ação tem caráter político e visa ao lançamento de um candidato do PSTU à Prefeitura e à Câmara Municipal. "Por que eles não se manifestaram em 2005, 2006 ou 2007? No ano passado, o reajuste foi de 4% e ninguém se manifestou. Eles ficaram calados e aceitaram a proposta", afirma.

Maury Ferreira, 39, presidente do Sintrofor, possui visão semelhante. "A Conlutas pode colocar toda a classe trabalhadora em risco com esse ato. Os motoristas foram colocados em uma 'roubada'", analisa. Na tarde da última quarta-feira, dia 7, a posição do Sintrofor era bem diferente. Enquanto o grupo defendia a paralisação na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Ministério Público do Trabalho (MPT) o procurador-chefe Cláudio Alcântara Meireles considerava a ação como ilegal.

Segundo Maury, a decisão do MPT fez com que eles mudassem de atitude. "As afirmações dadas pelo Sintrofor foram feitas antes da decisão. Apoiávamos o movimento apesar de não termos deflagrado a greve. Agora, estamos atuando em socorro do trabalhador, para que não haja cortes de vagas como retaliação", explica.

Além da mesma opinião sobre a Conlutas, Edvando e Maury possuem um outro ponto em comum: ambos atuaram na Comissão Interna de Prevenção aos Acidentes (Cipa) de suas empresas. Foi lá que Edvando, há 15 anos trabalhando como motorista, começou sua vida sindical. "Fui escolhido pelos outros trabalhadores como representante da empresa porque era da Cipa e resolvia muitos problemas para eles".

O presidente do Sintrofor é integrante da Cipa na empresa de ônibus em que trabalha. A sua entrada no meio sindical, contudo, se deu por causa da insatisfação contra o modo como era dirigido o sindicato da categoria. "Todas as negociações do Sintro eram favoráveis às empresas. Isso gerou muita insatisfação. Nosso interesse não é nada político, e sim, o de defender os trabalhadores".

Há dez anos trabalhando como motorista, Maury serviu por nove anos e dois meses na Aeronáutica quando mais jovem. Segundo ele, o desligamento das Forças Armadas ocorreu durante um corte de gastos realizado pelo então presidente Fernando Collor de Melo. Sem emprego, o sindicalista adotou a atual profissão. "Não era minha intenção sair da Aeronáutica, mas trabalho como motorista por causa da necessidade e porque gosto".

Entenda o caso

O grupo de motoristas e cobradores que parou os terminais exigia a anulação da convenção trabalhista firmada no fim de abril entre o Sindiônibus, sindicato dos empresários, e o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro). A dissolução da atual diretoria do Sintro também era uma das reivindicações.

Como forma de protesto, paralisações parciais nos terminais ocorreram na última quinta-feira, dia 1º, e na segunda-feira passada, dia 5. Segundo o movimento, que seria articulado pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), o reajuste de 5% mais R$ 1 no vale-refeição, acertado entre o Sintro e o Sindiônibus, é considerado baixo.

Por três dias, Fortaleza viveu momentos de caos. Usuários ficaram presos durante horas nos terminais. Funcionários deixaram de ir ao trabalho por causa da falta de transporte. A busca por alternativas de locomoção lotou os trens urbanos e aumentou a procura por vans, táxis e mototáxis.

Na última quarta-feira, o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Cláudio Alcântara Meireles, disse que a paralisação era ilegal e anunciou que entraria com uma ação judicial caso o movimento continuasse.

Na tarde de ontem, a presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a desembargadora Dulcina Palhano, decretou o retorno imediato dos motoristas ao trabalho e a garantia, por parte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), da normalidade na prestação do serviço de transporte coletivo público.

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