26/04/2008 16:09

"Sonhador, visionário, herói". Os adjetivos são recorrentes entre os que o conheceram, mas não bastam para definir a figura humana e o empresário experiente engendrados ao longo dos anos em um homem de aparência forte e sorriso fácil. Para a jornalista Márcia Gurgel, que viveu por 31 anos o dia-a-dia da redação do O POVO, a lembrança que fica é a de um homem terno, amável. "Nunca vi o Demócrito como um patrão na acepção exata do termo. Sempre foi muito carinhoso, cordial, atencioso. Uma pessoa muito afável", recorda-se. E é ela uma das que destacam no empresário o lado empreendedor. "Era um sonhador, um visionário. Sonhou o possível e o impossível e todo sonho possível ele realizou. E deixa de patrimônio para O POVO, sobretudo, a credibilidade", destaca.
O marido de Márcia, Fernando Adeodato Júnior, aposentado há dois anos e meio após 40 anos do O POVO, lembra da longa convivência, iniciada ainda na antiga sede do jornal, na rua Senador Pompeu, quando Demócrito contava apenas 22 anos. "É uma perda irreparável e sua figura humana dispensa comentários. Mas o que mais admirava nele era a maneira como partilhava o dia-a-dia do jornal", destaca. E recorda sua atuação frente à Associação Nacional de Jornais (ANJ). "Foi uma das figuras mais atuantes da ANJ, uma liderança nacional no jornalismo empresarial", afirma.
Para o publicitário Eduardo Odécio, da Síntese Comunicação, Demócrito Dummar foi um "herói" e um "vencedor", que sempre batalhou por aquilo em que acreditava. Ele considera que o jornalismo cearense e o nacional ficam agora como uma lacuna "que nunca vai ser preenchida". "Ele escreveu a história dele na imprensa brasileira, não só cearense. É um exemplo para as novas gerações dos jornalistas que virão", acredita.
É também como "visionário" e "plural" que Alberto Amadei, coordenador do Fórum da Transparência do Ceará, prefere lembrar-se de Demócrito. Para ele, o jornalista soube valorizar as diferenças nas páginas do O POVO, mantendo uma postura, sobretudo, de tolerância. "Ele amava as diferenças. Poucos jornais no Brasil, ao longo do tempo, foram tão plurais. A falta dele na mídia cearense é irreparável", diz. (Adriana Albuquerque)
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