Demitri Túlio
da Redação
Amigos, parentes, curiosos, empresários e políticos passaram sábado na Assembléia Legislativa para se despedir do jornalista Demócrito Dummar. Antes de seguir para o Parque da Paz, o corpo foi reverênciado no jardim do jornal
26/04/2008 16:09

A Casa do Povo transformou-se, na manhã de ontem, na casa do abraço. Afagaram-se familiares, acolheram-se desconhecidos e cingiram-se apertos fortes, de amigos ou não, em volta do jornalista Demócrito Dummar, o Dr. Demócrito, presidente do Grupo O POVO de Comunicação. Sereno, do jeito que estava, deve ter se sentido abraçado por Deus e quase todo mundo que pela Assembléia Legislativa do Ceará passou para ter com ele uma derradeira vez.
Abraçar, sempre o fez com habilidade e extremo afago. De entrelaçar os aparentemente distantes para costurar ou articular soluções em tornos de bons embates com conversas irresistíveis. Da causa dos índios, das mulheres com mais de 30, dos presídios, dos soropositivos, da praia das Iracemas, do centro histórico, do Nordeste, da responsabilidade social, das minorias, disso, aquilo e do jornalismo de contar histórias...
Das demonstrações de amizade, de atos simples de respeito, de rosas e réquiens particulares se encheu o rol de entrada do parlamento cearense. Político, mesmo sem ter sido deputado como foi o velho avô Demócrito ou o senador Sarasate, Demócrito Dummar recebeu honras de jornalista e de homem público do mundo e do umbigo de Fortaleza. Por coincidência estava deitado ao lado de um painel enorme assinado pelo artista plástico Cláudio Queiroz. E da aquarela, o observavam Rachel de Queiroz, Iracema, Padre Cícero, Antonio Conselheiro, Tasso Jereissati, Maria Luiza, o Bode Ioiô e outros cearenses.
Perguntar e dizer o quê em horas tais? Então repetiam encontros que ainda permeiam a memória, trechos de frases compartilhadas, do imprevisível, de piadas... Dos tempos de infância, da juventude, das contradições, das paixões, do jornal quando nasceu, dele quando veio menino pra Redação, de dona Lúcia, de Wânia, do Felipe, de Luciana, de Democríto, da família, dos funcionários e do jornal que sempre brigou em pé... Do espírito das coisas boas e mais mil coisas.
Havia choro, claro. Saudades. Quem é que nunca chorou do janelão do aeroporto quando o avião começou a decolar? Quem não marejou os olhos quando, na saída da cidade, leu no filme bom os dizeres "aqui começa saudades de Iguatu".
Mas havia abraços e encontros e reencontros. Sempre existirão. Do jeito que o Dr. Demócrito promovia e cingia a vida.
FRASES:
"Talvez a gente possa definir o perfil profissional do Demócrito como um ampliador de horizontes. Um consolidador do jornalismo moderno no Ceará, que nasce com a Gazeta de Notícias e se consolida com O POVO. O trabalho dele em inovação foi tão ousado que, em certos aspectos, foi mais longe do que outros empresários do Centro-Sul. Foi também um desbravador no que tange à inovação da indústria cultural, entendendo a importância da mulher na atividade cultural e sendo o primeiro a compreender que as manifestações populares poderiam inserir-se neste mercado." Auto Filho, Secretário de Cultura do Estado do Ceará.
"Era uma grande figura humana, uma pessoa singular na nossa sociedade. Também um grande empreendedor, que estava sempre presente nos grandes movimentos sociais e nos projetos que pensavam o futuro de nosso Estado. Ele sempre colocou O POVO numa posição de destaque nacional. Particularmente, perdi um grande amigo, que esteve sempre presente na minha vida." Carlos Fujita, vice-presidente da Fiec.
"Demócrito foi um herói do jornalismo que lutou pela liberdade de imprensa, um verdadeiro líder. Foi também um grande apoiador da indústria da moda, que deve muito a ele. Tive a oportunidade de ser colega dele na Faculdade de Direito, nos formamos juntos e ele era sempre muito atencioso, amigo. Lamentamos muito, vai deixar muitas saudades." Manoel Holanda, proprietário do Maraponga Mart Moda.
"Por vários momentos, Demócrito foi acusado do teor das mensagens, quando na verdade ele era o mensageiro. Mas mesmo criticado, as pessoas nunca deixaram de admirá-lo. Ele não era apenas um empresário do setor de comunicação. O jornal e a comunicação fidedigna eram a vida dele. A perda para o jornalismo cearense é inadjetivável." Eduardo Diogo, presidente em exercício da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece)
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È mais uma vez, a cada dia que passa nos estamos ficando mais orfãos de pessoas como o Sr, Demócrito que com certeza muita gente que o respeitava e o tinha como um pai, prncipalmente seus funcionários e os milhares de leitores do seu esplendoroso e confiavel jornal. fica a saudade e seus ensinamentos! Teodorico neto- empresário do ramo alimenticio e fiel assinante de O POVO.
Teodorico jose silva neto
A INESPERADA MORTE DEMÓCRITO DUMMAR (O Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste-CECORDEL,publicará cordel coletivo, em homenagem póstuma ao jornalista Demócrito Dummar) No ano 2008 Em 25 de abril Numa tarde ensolarada O destino em seu perfil De transmitir desengano Foi outra vez mais hostil. Era sexta-feira à tarde Tranqüilo fim de semana O destino joga as cartas Sussurra a voz soberana: Vão buscar Demócrito Dummar E no céu se canta hosana. Pra família e seus amigos A notícia foi chocante Não havia explicações Como algo alucinante Onde a dor com o sentimento Muito mais é torturante. O fato gerou notícia Toda imprensa consternada Pelo adeus ao jornalista De vida exemplificada Que fez de seu Grupo O POVO Uma empresa renovada.(Guaipuan) -1-(...)
Guaipuan Vieira