Thiago Cafardo
da Redação
Cerca de 1.400 sem-tetos invadiram o campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC). Utilizando pás e enxadas, eles derrubaram um muro de 450 metros de comprimento e ocuparam o terreno, localizado próximo ao parque esportivo da UFC
26/04/2008 02:29

Um grupo de aproximadamente 600 famílias (1.400 pessoas) derrubou um muro de 450 metros e invadiu o campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza. A ocupação começou na noite da última quinta-feira, por volta das 23 horas. O terreno invadido fica na parte de trás do campus, localizado próximo ao ginásio e às piscinas, na rua Piauí. Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Comunidade João Paulo I, Geraldo Pereira, as famílias moram nos bairros próximos à universidade - Panamericano, Demócrito Rocha, Couto Fernandes e Bela Vista - e moram de aluguel ou de favor com parentes. A intenção das famílias é construir casas no terreno da UFC.
"Posso garantir que nenhuma dessas famílias têm casa própria para morar", afirma Geraldo Pereira, líder do movimento. Segundo ele, cada família deverá receber um lote de quatro por 15 metros. "Nossa intenção é morar aqui mesmo. É um absurdo um terreno desse tamanho não ser usado para nada. As famílias não têm onde morar", reclama Alexandre Nogueira, de 24 anos, que está desempregado. Ele é um dos representantes do movimento no campus do Pici.
De acordo com Alexandre Nogueira, o grupo não deixará o terreno da universidade, "independente de qualquer coisa". "Não temos medo de represálias. Ninguém vai sair daqui, mesmo que a Polícia apareça", afirma Nogueira. "Somos humildes, mas não somos vagabundos. Somos todas pessoas de bem, trabalhadoras. Estamos passando necessidade, não temos onde morar", disse o catador de lixo Sérgio Avelino, de 33 anos, que ganha entre R$ 10 e 15 por dia. "Nós viemos aqui reivindicar moradia, mais nada", diz a dona-de-casa Girlaine de Oliveira, de 25 anos, mãe de três filhos.
Providências
Segundo o chefe de gabinete do reitor, Luiz Antônio Maciel, a universidade já encaminhou à Procuradoria-Geral Federal um ofício informando a invasão do campus do Pici. No início da noite de ontem, o juiz federal Felini de Oliveira Wanderley concedeu liminar determinando a reintegração de posse do terreno à UFC em um prazo de 72 horas.
Ainda na noite da última quinta-feira, a UFC pediu ajuda à Polícia Federal. "Fizemos contato já na noite da invasão, mas a própria PF orientou que procurássemos a Procuradoria-Geral Federal", explica o professor Luiz Maciel. "Desde o dia 16 já tínhamos ouvido falar sobre uma possível invasão", diz Luiz Maciel. Segundo ele, uma equipe de vigilância da universidade está acompanhando a ação dos ocupantes no terreno, para que não ocorra danos ao parque esportivo da UFC - o local fica atrás das piscinas e do ginásio.
NÚMEROS
450 - metros é o comprimento do muro que foi derrubado pelos sem-tetos
600 - famílias ocuparam o terreno do campus do Pici
1.400 - é o número aproximado de pessoas envolvidas na invasão da UFC
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Isso é um ato de desrespeito ao patrimonio publico de um bando de vagabundos que se dizem sem teto.
celo
Muitas vezes o que está por trás é a tradicional "indústria da invasão". O "lider" loteia o local e vende aos "invasores" o "lote". Na segunda etapa, acontece a venda dos barracos para "especuladores". Na terceira etapa, os terrenos, já com infra-estrutura, são vendidos para terceiros que constroem casas de bom padrão. Enquanto isso, novas áreas são invadidas, e começa tudo de novo.
Francisco Mendes
Por outro lado, a desastrada política agrícola familiar dos tucanos, nos 20 anos de governo de Tasso e Cia., contribuiu para que Fortaleza saisse de UM MILHÃO de habitantes, na década de 80, para quase DOIS MILHõES E MEIO de habitantes, em 2007. Essa leva de migrantes (refugiados econômicos e do clima) faz uma enorme pressão sobre os recursos naturais, demandando, do Município de Fortaleza, necessidades de moradia, saúde, educação, trabalho e infra-estrutura.
Francisco Mendes