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Fortaleza

103 CASOS

Leste-Oeste lidera ranking de atropelamentos em 2007

O número de atropelamentos diminuiu muito pouco em Fortaleza em 2007. Foram 27 casos a menos do que em 2006. A via onde mais pedestres são atropelados é a Leste-Oeste

Mariana Toniatti
da Redação

05 Abr 2008 - 14h40min

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 Além da alta velocidade dos motoristas, a imprudência do pedestre também é causa dos atropelamentos na Leste-Oeste . Em 2007,  ocorreram 103 atropelamentos na via, sendo 12 com mortes(Foto: RODRIGO CARVALHO)
Não é uma pista larga, não tem a velocidade das BRs, mas é a via onde mais aconteceram atropelamentos em 2007. Na avenida Presidente Castelo Branco, conhecida como Leste-Oeste, foram registrados 103 acidentes do tipo. Doze terminaram em morte. Na BR-116, segunda no ranking divulgado pela Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), foram 85 atropelamentos e mais mortes do que na Leste-Oeste, 16. A violência dos acidentes é muito maior nos trechos de estrada que ficam dentro do perímetro urbano.

A avenida Mr. Hull, início da BR-020, é a décima na classificação geral - foram 38 atropelamentos -, e registra dez mortes. O dobro da Osório de Paiva, terceira no ranking com 74 atropelamentos e cinco óbitos. Na cidade toda, 2.662 pessoas foram atropeladas. Uma média de sete por dia, 221 por mês. Comparando com os números de 2006, houve uma pequena queda: 27 casos a menos. "Ainda é um índice altíssimo. Não descansamos em relação a isso", afirma o presidente da AMC, Flávio Patrício.

Ele diz que os dados são utilizados pelo departamento de engenharia do órgão. "Precisamos saber onde e como agir". Nos últimos dois anos, 14 equipamentos de fiscalização eletrônica foram colocados só na Presidente Castelo Branco. Assim como nas BRs, os motoristas costumam correr na pista rodeada de casas. No ano passado, o equipamento flagrou um carro a 139 quilômetros por hora. "E ali é uma área de adensamento populacional", diz Patrício. A travessia de pedestres é constante, inclusive de crianças que cruzam a pista sozinhas.

Velocidade
Alta velocidade, gente demais e imprudência ajudam a entender por que a Leste-Oeste é cenário de tantos atropelamentos desde a década de 80, mesmo depois da instalação da fiscalização e dos dois sinais exclusivos para pedestres. "Toda semana tem um caso aqui. O pessoal não toma cuidado, não tem paciência de esperar. Mês passado morreu um garoto de 12 anos", conta Carlos Alberto de Oliveira, 56, que perdeu um amigo atropelado por um caminhão na Castelo Branco.

O controle da velocidade por meio da fiscalização eletrônica parece não surtir tanto efeito e Flávio Patrício diz que o último recurso são as lombadas e quebra-molas, que obrigam o motorista a reduzir. Nem os sinais exclusivos para pedestres são 100% seguros. "Constatamos que o número de atropelamentos aumentava porque o semáforo cria uma falsa sensação de segurança e o veículo muitas vezes não obedece a sinalização", conta Patrício.

A AMC continua apostando na fiscalização eletrônica para "segurar" o pé dos motoristas, mas o que pode mesmo reduzir o número de atropelamentos é a consciência do pedestre. "Ele tem papel fundamental. O que mais causa atropelamentos é a imprudência de quem atravessa a rua".

DICAS

Para atravessar

Lembre-se do básico: olhe para os dois lados antes de atravessar.

Sempre use a faixa de pedestres.

Os carros podem estar parados, mas as motos cortam o trânsito. Preste atenção!

Não atravesse em frente a um ônibus parado, você não pode ver se vem algum veículo atrás.

Utilize as passarelas. Não tenha preguiça!

Nunca atravesse a rua de costas para o fluxo de carros.

Atravessando correndo, você tem mais chance de cair. Tenha paciência, espere o momento em que nenhum carro se aproxima e atravesse a pista andando.

E-MAIS

De 2005 para 2006, a redução no número de atropelamentos foi mais significativa. Em 2005 foram 3.070 casos e em 2006, 2.689; 381 casos a menos. A redução entre 2006 e 2007 foi de 27 atropelamentos.

Nas avenidas Perimetral, Abolição e João Pessoa, quatro pessoas morreram atropeladas em 2007.

Nos sinais exclusivos para pedestres da Raul Barbosa e da Leste-Oeste, o motorista pode passar com 60 quilômetros por hora depois das 22 horas, mesmo que o semáfaro esteja vermelho, se não houver ninguém. A tolerância da AMC para as duas vias tem a ver com a violência urbana.

A AMC instala equipamentos de fiscalização em todos os locais onde funcionam sinais de pedestre acionados por botoeiras para garantir que os motoristas obedeçam o sinal.

Na Castelo Branco (Leste-Oeste), todo mundo conhece alguém que já foi atropelado ou foi vítima. No canteiro central, uma cruz colocada em 1990 presta homenagem às "vítimas do trânsito".

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