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Fortaleza

DEPREDAÇÃO

Patrimônio público destruído

Daniela Nogueira
da Redação

Destruição, desrespeito ao patrimônio público e prejuízo à estética da cidade. É essa a situação de depredação do bem que é de todos, mas mal usado por alguns. Exemplos de atos de vandalismo


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03/04/2008 01:30

A empresa não informa que tipos de depredação os aparelhos sofrem, mas basta dar uma olhada
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A empresa não informa que tipos de depredação os aparelhos sofrem, mas basta dar uma olhada

Faz tempo que a Rachel de Queiroz está sem óculos. E não é a primeira vez. Na praça General Tibúrcio, a conhecida praça dos Leões, no Centro, o rosto da estátua da escritora cearense ainda exibe os furos que apoiavam os óculos. Também no Centro, a praça Dom Pedro II dá sinais de destruição. A imagem do homem que dá nome ao local é apoiada em um monumento pichado e uma das placas que informariam à população o porquê de a imagem existir não está mais ali. Fora o desrespeito ao que é de todos, os atos de vandalismo são também um prejuízo para a estética da cidade. Esses são apenas dois dos muitos casos de destruição do patrimônio público que Fortaleza enfrenta.

Além deles, há conseqüências dos atos de vandalismo nas placas de sinalização de trânsito, no piso e nos bancos das calçadas, nos aparelhos de telefones públicos e em algumas outras estátuas pela cidade. O problema com a da Rachel de Queiroz, inaugurada em 2005, é relatado pelos freqüentadores da praça. "As pessoas arrancam de noite, quando não tem quase ninguém por aqui. Levam, porque é de bronze e acho que só não levaram a estátua toda ainda, porque é muito pesada", supõe o aposentado Eloy Picanço, 85 anos, que vai quase todos os dias à praça sentar ao lado da escritora. Para ele, a estátua está em lugar errado. "Ela deveria estar numa coluna, bem alta. Não era para estar aqui, sentada num banco de praça. Ela é uma mulher de cultura", exclama.

A praça do Carmo, na avenida Duque de Caxias, no Centro, explicita os sinais da destruição. Segundo freqüentadores e comerciantes do local, o espaço sofre com o estrago da população e o desgaste natural do tempo. Nos orelhões, as mensagens escritas e os cartazes fixados enfeiam os telefones, que são cuidados por uma empresa privada, mas que têm uso público.

Na Praia de Iracema, a estátua da índia também expõe pichações. A estrutura de madeira que deveria contornar a imagem só rodeia parte dela. Há muito faltando. O piso já está tomado pela areia e também atrapalha até quem caminha e corre pelo local. Ninguém por lá sabe como ele foi destruído. Mais à frente, no Mucuripe, a Iracema esculpida que chegou ali em 1965 está sem uma das mãos. O "guerreiro branco" já está com a armação de ferro à mostra. "Quando eu cheguei aqui, ela já estava assim. O pessoal passa, tira foto, mesmo com ela desse jeito", afirma Herculano Pessoa, que trabalha na área vendendo passeio de barco.

Nas rodovias que cortam a cidade, a depredação também está presente. Quem passa pela BR-116, por exemplo, precisa fazer um pouco de esforço para conseguir ler o que está expresso nas placas. As pichações, muitas vezes, ocupam mais espaço do que a sinalização. No início da avenida Senador Carlos Jereissati, no Dias Macêdo, a estética de outro monumento também é prejudicada pelo grafite. O amarelo da expressão "Ceará - Terra da Luz" está manchado com o preto das pichações.

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danielanogueira@opovo.com.br

E-MAIS

Em Fortaleza, os bairros de maior incidência de furto de cabos elétricos, segundo a Coelce, são Lagoa Redonda, Bom Jardim, Paupina, Lagoa Redonda, Sabiaguaba e Canindezinho.

Na Região Metropolitana, são Caucaia, Pecém, Taíba, Icaraí, Novo Iguape, Pindoretama e Beberibe.

Em dias de jogos clássicos, a Prefeitura decidiu não colocar mais ônibus extras por conta da destruição de coletivos.

Dados da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) contabilizam de 20 a 30 ônibus quebrados por dia de clássico. São prejuízos com pára-brisa, porta e vidro de janelas.

SAIBA MAIS

O furto de cabos elétricos é outro problema. Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Energética do Ceará (Coelce), foram registradas, no Estado, 316 ocorrências nos dois primeiros meses deste ano. Prejuízo de R$ 761.310,56.

Quanto à depredação dos telefones públicos, a Oi, empresa de telefonia fixa responsável, não fala em quantidade destruída nem custos. A assessoria cita: no Ceará, em média, 13% dos cerca de 50 mil orelhões têm sido danificados por mês este ano.

Denúncia de furto de cabos elétricos: 0800 285 0196 (de fixo) e 9090 88 11 6000 (de celular).

Solicitação de reparo em telefones públicos: 103 31.

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Uma vergonha para a cidade de Fortaleza ver o seu patrimônio público destruído ou com pichações de muito mau gosto feitas por vândalos. As autoridades da cidade deveriam levar na justiça os responsáveis pelo vandalismo e fazer pagar os danos causados, com penas que poderiam ser de trabalho comunitário, por exemplo a varrer as ruas ou limpar monumentos.

Emilio Moitas

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