24/03/2008 02:04

Sexta-feira. Os alunos da 6ª série chegam aos poucos, para o que será o último dia de aula deles e o último dia de aula do turno da noite da escola Faustino Albuquerque. A turma de Juliana Santos, 15, começou com a sala lotada, no início do ano passado. Naquela sexta, contudo, somente quatro alunas estavam presentes para fazer a prova de Geografia. Aluna exemplar, daquelas que não costumam faltar, a estudante ainda não sabe onde vai estudar depois que o turno for desativado. "Gosto de estudar à noite e gosto dos professores. Venho todo dia. Tenho fé de que a escola não vai fechar", afirma.
Maria Alves Lima, 67, aprendeu a ler há dois anos, em uma sala de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mãe de oito filhos, só conseguiu estudar depois que ficou viúva e todos eles foram "criados". O conhecimento formal adquirido fez com que ela tirasse os documentos e pudesse votar em duas ocasiões. "O que eu aprendi foi aqui nesta escola e eu quero terminar nela", argumenta. No diário do professor, há 42 alunos relacionados na turma de Maria Alves. No último dia de aula, contudo, apenas uma fileira de seis pessoas se fazia presente.
Francisco Antônio Lima Ferreira, 40, tem necessidades especiais. Sem o ensino noturno da Faustino de Albuquerque, ele não vai mais estudar este ano. A afirmação é da irmã, Assioneide Xavier. "Há cinco anos ele estuda nesta escola. Por ter problemas, ele tem de estar sempre trabalhando a coordenação motora. Por causa da criminalidade, meu irmão não pode estudar em um local mais distante. Aqui perto, todo mundo conhece ele", explica.
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