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Fortaleza

PIONEIRO

Boa notícia para quem aguarda na fila por um transplante

Raquel Chaves
da Redação

O anúncio do projeto Coração Artificial, pioneiro no Brasil, será feito amanhã, no Hospital de Messejana. A instituição, que iniciou suas pesquisas há quatro anos, comemora a oficialização do projeto


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17/03/2008 00:28

Ele funciona como uma espécie de "ponte" para o transplante cardíaco. Pode tirar um paciente que aguarda na fila de uma condição terminal à condição estável que este tipo de cirurgia exige. Atende pelo nome de Dispositivo de Assistência Ventricular (DAV). Mas há quem prefira se referir a ele como "coração artificial". O termo também dá nome ao projeto que tem feito os holofotes da medicina brasileira se virarem para o Ceará - mais precisamente ao Hospital de Messejana, em Fortaleza. A instituição, que já vem desenvolvendo o projeto há quatro anos, lança-o oficialmente amanhã.

O anúncio ganha ares de comemoração, ao tempo em que o equipamento possibilita ao paciente poder aguardar mais tranqüilamente, e por mais tempo, por um doador, tornando menos difícil a já sofrida espera. O projeto começou a ser desenvolvido no Ceará, mas já vem instigando outros estados a voltar as atenções para o novo equipamento médico - pelo menos no Brasil.

No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, houve três casos de transplante de coração artificial. O último deles na sexta-feira, 14, no serviço de transplante do Hospital de Laranjeiras, na capital fluminense. "Foi nosso primeiro transplante", diz ao O POVO o chefe do serviço, Alexandre Siciliano, referindo-se à intervenção em um paciente de 46 anos. Em tom de comemoração, o cirurgião explica que essa é mais uma alternativa para aumentar a expectativa de vida de quem aguarda na fila por um doador.

"Em todo o Brasil, 50% dos pacientes morrem na fila de espera por um coração", afirma Siciliano, acrescentando que, por diversos fatores, eles não conseguem chegar ao transplante. Normalmente, o coração fraco do doente se torna cada vez mais debilitado e a doação custa a chegar. "O coração artificial chega como uma forma de tratamento a mais. Esse tipo de assistência é fundamental, hoje, pro paciente. E vai permitir que o levemos a transplante", defende o médico Alexandre Siciliano.

A máquina entra em ação para suprir o funcionamento do coração doente, segundo o coordenador do projeto no Hospital de Messejana, o cirurgião cardiovascular Juan Mejia. Para este início, o Governo do Estado financiará os primeiros ventrículos. A idéia, segundo Mejia, é lançar uma campanha para receber doações de empresas e pessoas físicas para a compra dos 10 primeiros equipamentos. O primeiro doador de um coração artificial ao Hospital de Messejana é o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jorge Parente.

Como a necessidade é a mesma nos demais estados brasileiros, todos já estão se preparando para a implantação do projeto. Muitos médicos foram treinados no Hospital de Messejana, em janeiro deste ano. O treinamento municiou de conhecimentos os principais centros transplantadores do País e até alguns do Exterior, já que participaram profissionais norte-americanos e peruanos.
(colaborou Yanna Guimarães)

VOCÊ SABIA?

A indicação principal para o implante de dispositivos de assistência circulatória mecânica é para os pacientes que aguardam um órgão na fila de transplante.

Os dispositivos de assistência ventricular foram primeiro chamados de (VAD, do inglês Ventricular Assist Devices). Nos Estados Unidos, existem desde os anos 60, mas seu uso não foi muito difundido até os meados dos anos 80.

Na segunda metade da década de 90, o dispositivo de assistência ventricular já era empregado em cerca de 200 mil casos de cirurgia cardíaca por ano. Isso nos Estados Unidos. Lá, o procedimento atinge hoje um público alvo com idade de até 35 anos, e todos os procedimentos médicos mais o aparelho podem custar cerca de U$ 70 mil - o equivalente a cerca de R$ 119 mil.

O coração artificial é um sistema paracorpóreo, ou seja, tem conexões internas, mas a bomba fica fora do corpo. Uma vez que apareça um doador, é realizado um procedimento onde se retira o coração doente juntamente com a máquina e se coloca o coração doado.

Não se pode esquecer que o coração artificial é um sistema temporário, que deve ser usado após uma grande perda da massa ventricular, que faz com que o coração entre em falência aguda.

Atualmente, seis pessoas esperam na fila por um novo coração no Ceará. Nos dois primeiros meses de 2008 já foram realizados quatro transplantes de coração no Hospital de Messejana - outros 24 ocorreram no ano passado.

O Ceará foi o primeiro estado no Brasil a começar um projeto de coração artificial. Conforme o cirurgião cardiovascular Juan Mejia, o Hospital de Messejana movimentou um programa
que estava parado por muitos anos no Brasil.

A Companhia Americana que fornece os equipamentos ao Hospital de Messejana o nomeou como Centro Nacional de Treinamento no Implante dos Corações Artificiais. O mesmo grupo está pensando em considerá-lo referência latino-americana na ár ea.


FONTE: Banco de Dados, Tecnologia Extracorpórea - Revista Latino-americana/1996, e Juan Mejia (cirurgião cardiovascular)

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