Fortaleza
VIDA & ARTE VIU
O último romântico
Julio Iglesias cantou para os apaixonados. O cantor romântico, na última sexta-feira, em uma apresentação intimista no Siará Hall, presenteou os fãs, relembrando boa parte de seus sucessos
Tiago Coutinho
Especial para O POVO
15 Mar 2008 - 14h16min
Já a catarinense Diva Roveda afirma sem medo "todas as músicas deles são lindas, e ele também. Você acredita que eu viajei mais de quatro mil quilômetros para vir para o show dele?". Ela sorri e diz "é brincadeira". Mas a coincidência é grande. Ela e mais quatro amigas, de férias em Fortaleza, pegaram o jornal e viram a notícia do show. Compraram os ingressos, prepararam a maquiagem, curtiram e depois correrão atrás. "A gente descobriu que estamos no mesmo hotel que ele. Imagina! Vamos amanhã procurá-lo o dia todo e pedir um autógrafo", completa.
Pouco antes das luzes se apagarem, as mesas vazias são liberadas para o público das cadeira na pista. Todo mundo se junta para ver o galã bem de pertinho. Suspense. Gritos entre a mulherada. Um cenário de céu estrelado se forma ao fundo. Julio está na iminência de entrar no palco. Os garçons suspendem os serviços. Alguns casais retardatários ainda tentam se acomodar. Apesar da pressa, não podem correr muito. Ninguém vai querer descer no salto em um show de Julio Iglesias.
Os músicos se acomodam e começam a esboçar os primeiros acordes. Minutos depois, ele aparece. Como se fosse modelo, esbanja simpatia, sorriso e elegância. Acena e as respostas vêm em forma de gritos. Ele ressalta: "quantas lembranças, quantos sonhos. Hoje eu quero paz e silêncio".
Pede silêncio exageradamente, para as mulheres escutarem melhor seu coração. Trejeitos não lhe faltaram. Muitas vezes de olhos fechados, suas mãos faziam ceninhas, percorrendo pela roupa, mexendo pelo corpo, coçando o ouvido. Quando canta Nathalie, o público vibra. Tira o paletó. A platéia vai à loucura!
Assim informal, a química entre platéia e palco dava em bons resultados. O show aconteceu, no entanto, de forma muito comportada. Aqui ou acolá, o cantante, como ele mesmo se denomina, dava umas temperadas picantes. Soltava beijinhos com uma piscadinha de olho e, quando podia, não dispensava beijar na boca de suas bailarinas. Até confessou de sua carência de vida sexual. "Ela perdeu muitos pontos".
Apesar de espanhol, seu repertório contempla músicas em italiano, português e inglês. Tango e salsa também não ficam de fora. Julio Iglesias cantou ao todo 26 músicas em uma hora e meia de apresentação. "Ai que coisa, Brasil!" era a frase, volta e meia, repetida no intervalo das músicas, quando tomava um golinho d'água.
A platéia, um tanto quanto tímida, não escondia sua essência de tietagem, câmeras digitais e celulares registraram os momentos mais importantes. O público se soltou pouco mais quando Julio cantou Coração de Papel, Let It Be me, You Always On My Mind, Me esqueci de viver. O melhor, no entanto, ainda estava por vir.
Quem saiu mais cedo perdeu as performances das últimas músicas. Como quem deixa o pedaço da cereja para o final, Julio cantou Crazy, Can't Help Falling in Love e Mal Acostumado. Aí sim, podia-se descer do salto. Cadeiras desocupas, braços em movimentos, a platéia não cansava de repetir "mal-acostumado, você me deixou, mal-acostumado, com o seu amor", música de encerramento. Tanta emoção fez um fã - e não uma fã - invadir o palco e tentar abraçar e beijar o ídolo. Os seguranças, no entanto, não o deixaram realizar o sonho. Julio se despede. Não volta. Leva consigo o seu sorriso. Será que Julio Iglesias ainda volta à Fortaleza?
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