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LANÇAMENTO

Campanha para combater o trabalho infantil

A estação ferroviária João Felipe, no Centro, foi o primeiro espaço da campanha. As mobilizações serão feitas no dia 12 de cada mês


13 Mar 2008 - 01h46min

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Capoeiristas e dançarinos do projeto Vida Nova se apresentaram na estação ferroviária João Felipe(Foto: EVILÁZIO BEZERRA)
A Estação Ferroviária João Felipe, no Centro da cidade, virou palco dos dançarinos e capoeiristas do projeto Vida Nova, que atende cerca de 800 crianças e adolescentes no bairro Parque São José. Eles participaram ontem de manhã do lançamento da campanha pelo combate ao trabalho infantil. Até dezembro, segundo a coordenadora do Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil (Peti), Alyne Almeida, atividades de mobilização serão realizadas sempre no dia 12 de cada mês - alusão ao 12 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.

A intenção da campanha, segundo ela, é mobilizar tanto crianças quanto adultos. A estratégia, para os primeiros, será realizar pré-cadastros para visitas e inclusão delas no Peti, que hoje atende a 2.256 crianças e adolescentes. Já para os adultos, pretende-se sensibilizá-los a não comprar produtos vendidos por crianças ou usufruir de serviços prestados por elas, como de engraxate ou de flanelinha, e incentivá-los a denunciar situações assim. A meta, até o fim do ano, é incluir mais mil crianças e adolescentes no Peti, que é coordenado pela Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci).

A Estação João Felipe não foi escolhida por acaso. Alyne diz que o espaço é local de fluxo intenso de passageiros e de pessoas que fazem vendas ou oferecem algum serviço, dentre elas crianças e adolescentes. Por dia, segundo o assessor de comunicação da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), Fernando Mota, 25 mil pessoas circulam por lá. A próxima atividade da campanha será na Praia do Futuro no dia 12 de abril.

A doméstica Luciene Matias aproveitou a espera pelo trem para assistir às apresentações. Ela conta que, de vez em quando, encontra crianças e adolescentes vendendo produtos dentro do trem. "Às vezes eu acabo comprando algo, mas acho que é preciso haver uma instituição onde elas fiquem e a gente tem que ajudar". Luciene tem três filhos, com idades de 9, 10 e 16 anos. Todos, conforme ela, só estudam. "E brincam. Afinal, são crianças", acrescenta.

Contribuição
Cássio Morais, de 26 anos, é professor de capoeira do projeto Vida Nova, mas há cerca de 15 anos, vivia, como ele mesmo relata, exposto a riscos. Chegou a catar lata para conseguir algum dinheiro. Entrou para o projeto em 1993. "Sou fruto do trabalho que hoje desenvolvo. Depois que comecei a trabalhar no projeto, percebi a importância dessa atividade". Ele conta que sempre prepara os alunos para que eles assumam turmas novas. Além de dança e capoeira, o projeto, que é conveniado com a Funci, também oferece atividades como informática e complemento escolar.

SERVIÇO
Os telefones para denúncia de trabalho infantil são (85) 3452 2345 e 3452 2349

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