Yanna Guimarães
da Redação
A procura pela vacina contra a febre amarela diminuiu nos postos de saúde. Além do término das férias, a determinação de que só poderia ser vacinado quem tivesse comprovante de viagem também contribuiu para a redução da procura
11/03/2008 00:17
A euforia que levou centenas de pessoas aos postos de saúde em busca da vacina contra a febre amarela passou. Nos dois únicos postos de saúde que oferecem a vacina, o movimento é pequeno e a procura é pouca. Cenário bem diferente do que era visto em janeiro, quando os casos da doença no Centro-Oeste e Sudeste do País assustaram a população, que correu em busca de vacinação. Duas razões explicam a diminuição da demanda: o término das férias e a determinação da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de que só poderia ser vacinado quem tivesse comprovante de viagem para as áreas de risco.
De acordo com Vanessa Soldatelli, coordenadora das ações de imunização da SMS, são enviadas duas mil doses por mês pelo Ministério da Saúde. A última remessa foi enviada há três semanas. "Normalmente, nem se usa todo o lote. A situação não está mais como em janeiro. Ainda não normalizou, mas estamos quase lá". Vanessa destaca que as duas unidades que disponibilizam a vacina estão com doses suficientes. "A procura diminuiu porque houve toda aquela exposição por conta dos casos da doença em Goiás. A população entrou em pânico, ficou todo mundo muito assustado achando que poderia pegar em qualquer lugar do País".
Apesar da pouca procura, no posto Roberto Bruno, no bairro de Fátima, cerca de 20 pessoas esperavam pela vacina na manhã de ontem. A costureira Liduína Valente, que está com viagem marcada para Belém, onde passará o feriado da Semana Santa, era uma delas. "Não poderia viajar sem estar vacinada. Só que achava que não ia ter ninguém no posto". Como ela, a arquiteta Heloisa Feitosa também viajará no feriado e levou os dois filhos para serem vacinados. "Foi difícil encontrar um posto que tivesse a vacina disponível. Não sabia que só eram dois", relata.
Sua filha Amanda, 10, é que não gostou muito da idéia. "Tô empolgada com a viagem, só não com essa vacina. Só que em Minas Gerais, pra onde a gente vai, tem mata, e por isso a gente tem que tomar", explica. No posto Benedito Artur de Carvalho, no bairro Luciano Cavalcante, não havia ninguém em busca da vacina. Segundo Haydee Petrônio, coordenadora do posto, quatro pessoas foram vacinadas. Em janeiro, a média era de 150 pessoas por dia. "Como o período de férias terminou e houve uma conscientização da população, essa busca desesperada pela vacina terminou".
Conforme Vanessa Soldatelli, as vacinas foram direcionadas para apenas dois postos por uma questão de controle. "Controlar a quantidade de aplicações e a necessidade de reposição em 89 unidades era praticamente impossível. Ficava muito difícil. E em algumas unidades não existe procura". Para quem vai fazer viagem para o exterior, o melhor é ir nos postos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pois somente lá são disponibilizadas as carteiras internacionais. Ao todo, 19 pessoas já morreram por causa da doença no Brasil. O Governo Federal contabiliza 35 casos confirmados.
SAIBA MAIS
ONDE SE VACINAR EM FORTALEZACSF Roberto Bruno: av. Borges de Melo, 910, Fátima. Telefone: 3227 9177 / 3272 0060
CSF Benedito Artur de Carvalho: rua Jaime Leonel, 228, Luciano Cavalcante. Telefone: 3243 2280
Posto da Anvisa: rua do Rosário, 283 - 4º andar, sala 413, Centro. Telefone: 3452 6013
SOBRE A DOENÇA
O que é?
A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela (Flavivírus), que ocorre na América do Sul e na África.
Áreas de risco
Regiões Endêmicas: Regiões Norte e Centro-Oeste, Maranhão e Minas Gerais.
Regiões de Transição: Oeste dos estados do Piauí, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Regiões de Risco Potencial:
Sul dos estados da Bahia e do Espírito Santo.
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