Diego Lage
Especial para O POVO e Lucinthya Gomes
da Redação
Um incêndio de grandes proporções atingiu o depósito da Rabelo da avenida Francisco Sá, no bairro Álvaro Weyne, destruindo um dos dois galpões
22/01/2008 00:12

O clima era de correria e tensão. Por volta das 9h30min da manhã de ontem, a fumaça preta e volumosa sinalizava o incêndio de grandes proporções que se alastrava pelo depósito da loja Rabelo, na avenida Francisco Sá, 5655, Álvaro Weyne. Colchões, madeiras e eletrodomésticos do depósito eram consumidos. Inflamáveis, as mercadorias - geralmente envolvidas em plásticos, isopor e papelões - intensificavam a labareda. Temia-se que o fogo se propagasse para uma madeireira vizinha, a Forbrasma.
Na avaliação do coronel Sérgio Gomes, do Corpo de Bombeiros que teve dificuldades de conter as chamas, o incêndio foi considerado de grandes proporções, superando o ocorrido no Centro, durante a véspera de Natal do ano passado. "Este daqui pega quase um quarteirão, mas a vantagem é que as ruas afastam o prédio de outros, dificultando a propagação do fogo, o que não aconteceu no Centro, onde as lojas são coladas", explica.
Um dos funcionários da Rabelo, o motorista Francisco das Chagas Barreto, afirma que percebeu o incêndio em torno das 10 horas da manhã. "Tinha um fumaceiro no auditório, que fica num prédio de três andares. O telhado tinha bastante fumaça. Em menos de 20 minutos, o fogo se alastrou para o depósito", disse. Segundo ele, muitos funcionários ainda estavam no interior do prédio, mas não houve dificuldades de tirá-los de lá.
Outro funcionário, que pediu para não ser identificado, acredita que o incêndio tenha começado na área de estofados do prédio, que fica no térreo do galpão. Ele diz que outro funcionário percebeu a fumaça negra e tentou sair pela porta, mas não conseguiu. "Então ele saiu pelo telhado, pulou em uma carreta e saiu gritando sobre o fogo", diz o funcionário.
Carros do Corpo de Bombeiros chegavam ao local a todo momento, na tentativa de conter o incêndio. Contudo, não impediram o desabamento de paredes, vigas e partes do teto do galpão. A cada parede que despencava, fazia-se um estrondo. A inexistência de hidrantes na região exigia reforço constante para o abastecimento d'água. "Por aqui não tem nenhum (hidrante). Tem um mais longe, que não tem pressão suficiente", reclamou o coronel do Corpo de Bombeiros, Sérgio Gomes. Para ele, o fogo teria sido debelado de forma mais simples e rápida com um único hidrante. "Bastava um. Não precisaria mais do que isso. Os carros têm de ir buscar água lá no Quartel (Central), a seis quilômetros daqui", explica.
Foi necessário pedir ajuda à brigada de incêndio do Aeroporto Internacional Pinto Martins e a uma empresa terceirizada de transporte de água. O risco de desabamentos era constante. As paredes que cercavam o galpão apresentavam muitas rachaduras. Quando uma delas caiu, na rua lateral, Graça Aranha, desabou para dentro do prédio, o que evitou propagação maior das chamas.
Após o desabamento de metade do prédio atingido pelo incêndio, por volta das 15 horas, o Corpo de Bombeiros informou que o incêndio já estava controlado, precisando apagar apenas pequenos focos. A corporação, segundo o coronel Sérgio, estava "torcendo para uma boa chuva à noite", a fim de agilizar o trabalho de rescaldo, que continuará sendo feito hoje. De acordo com o coronel, 16 viaturas e um efetivo de aproximadamente 100 homens foram utilizados ontem. (Colaborou Marcos Cavalcante)
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