Fortaleza
POLÍCIA CIVIL
Candidatos tentam fraudar concurso de delegado
Pelo menos 39 candidatos foram pegos tentando fraudar o concurso para delegado da Polícia Civil. Segundo o titular da SSPDS, Roberto Monteiro, eles se apresentavam como autores de 77 livros já publicados. O objetivo era melhorar a pontuação durante a fase da titulação, uma das fases do processo seletivo
Marcos Cavalcante
da Redação
10 Jan 2008 - 00h16min
Ele ressalta que o processo seletivo está parado enquanto as investigações continuarem, mas a seleção não está anulada. "Em princípio não parece que tenha condições de anular o concurso. Não há evidências nos autos de que tenha havido fraudes nas provas (realizadas em março de 2006), pelo menos por enquanto", esclarece Monteiro. Segundo o secretário, com a descoberta na fraude, também serão verificados os títulos de mestrado e pós-graduações dos aproximadamente 500 candidatos que conseguiram chegar à fase das titulações.
Para o secretário, ainda não existem indícios de que integrantes da Comissão Coordenadora do Vestibular da Universidade Estadual do Ceará (Uece), organizadora do concurso, tenham participado do esquema de fraudes na titulação. "Todos os concursos públicos são investigados por nós e posso dizer que, por enquanto, não existem outros com este problema", completa Monteiro.
O titular da SSPDS diz que os 39 candidatos, sendo comprovada a culpa de cada um, serão excluídos do processo seletivo. "Há casos em que um mesmo candidato é autor ou co-autor de três obras em 2007, quando estaria estudando para o concurso. É um caso antiético prestar concurso para delegado e tentar fraudá-lo", ressalta, informando que o caso será encaminhado ao Ministério Público Estadual, que acompanhará as investigações.
Segundo a delegada Adriana Arruda, designada desde 2 de dezembro do ano passado para investigar o caso, foram descobertos 77 livros de conteúdo jurídico com o selo de uma editora sediada em Fortaleza, que não terá o nome divulgado enquanto continuarem as investigações. Ela chegou ao número depois de comunicar a tentativa de fraude à comissão organizadora do concurso e solicitar todos os livros entregues pelos candidatos. "A capa não é destas do mestrado, é como se fosse um livro jurídico comum, desses que você compra normalmente, com o nome dos autores impresso na capa", destaca Adriana. O livro de uma editora, com sede em Pernambuco, também teria sido copiado por um dos fraudadores.
De acordo com a delegada, não existe um prazo definido para o fim do inquérito que apura as fraudes. "Por enquanto não sabemos se a editora está envolvida no caso, nem o valor pago para se conseguir um livro", explica Adriana, que é titular da Delegacia de Proteção ao Turista. Adriana diz que, caso seja comprovada a culpa dos candidatos que se identificaram como autores nos livros, eles serão indiciados por falsidade ideológica, crime previsto com prisão de um a quatro anos.
SAIBA MAIS
A titulação é a penúltima fase de caráter classificatório do concurso. Segundo o edital da seleção, o valor máximo de pontuação que se poderia obter com um livro editado na área jurídica era quatro pontos. Já a formação acadêmica, como um doutorado, poderia valer até 18 pontos. No total, a avaliação de títulos, somado tanto publicações como graus de ensino pode valer até 30 pontos.
Para evitar fraudes, o edital determinava que não seriam aceitas publicações em mídia eletrônica ou em que não constem o nome do candidato. A publicação (artigo, livro, capítulo) somente seria aceita com a apresentação do exemplar integral e em boas condições. Para chegarem à fase de titulação, os candidatos passaram por uma prova escrita, realizada em março do ano passado, depois por um exame físico e outro psicológico. Depois da fase de titulação, os candidatos iriam para o curso propriamente dito, que também possui caráter eliminatório.
Atualmente, 500 candidatos disputavam 83 vagas. Entretanto, dependendo da necessidade, este número poderia ser aumentado em até três vezes (249 vagas), segundo consta do edital. De acordo com o secretário Roberto Monteiro, a descoberta de fraude prejudica ainda mais o esquema de segurança, pois os aprovados irão demorar para irem às ruas. Atualmente, existem 297 delegados de Polícia Civil em todo o Estado.
O assunto de fraude foi divulgado na tarde de ontem durante uma coletiva de imprensa organizada às pressas porque a informação de que haveria fraude no concurso já havia vazado para outras pessoas, inclusive um veículo de comunicação. Para evitar informações exclusivas e demonstrar transparência nas investigações, o secretário decidiu torná-la pública.
No dia 30 de abril do ano passado a Polícia Federal desencadeou a operação Vaga Certa. Por valores entre R$ 15 mil e R$ 70 mil, jovens muito estudiosos prestavam o vestibular no lugar dos verdadeiros candidatos.
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