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POSTOS DE SAÚDE

Aumenta a procura por vacina contra febre amarela em Fortaleza

A indicação é que sejam vacinadas pessoas que irão viajar para regiões de risco. Mas quem vão vai viajar também pode ser vacinado. Ontem, um lote de vacinas acabou no posto Paulo Marcelo

Érica Azevedo
da Redação

10 Jan 2008 - 00h16min

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Além dos postos de saúde, a vacina pode ser encontrada no Aeroporto Pinto Martins(Foto: EDIMAR SOARES)
A detecção de casos suspeitos de febre amarela silvestre e urbana em Brasília e Goiás tem feito muita gente em Fortaleza correr aos postos de saúde em busca da vacina. É o caso da aposentada Maria de Lourdes Santana, 57. Ela mora em Fortaleza e teme que possa ser contaminada pela vinda de turistas ao Ceará nessa alta estação. "Eu vim me vacinar com medo. A gente nunca sabe. Aqui em Fortaleza nunca houve isso (caso de febre amarela), mas a gente tem que se precaver", disse Maria ontem, antes de tomar a vacina no posto Paulo Marcelo, no Centro. Segundo a coordenadora do posto, Cecilia Leandro, até as 17 horas de ontem, 251 doses da vacina contra a febre amarela foram aplicadas.

Cecilia informou que a orientação do Ministério da Saúde é de que somente sejam vacinadas pessoas que forem viajar para áreas de risco, incluindo a região onde atualmente há suspeita de casos de febre amarela. "As pessoas se assustam quando ouvem as notícias e nos procuram. Apesar de a orientação ser somente para pessoas que vão viajar para áreas endêmicas, a gente não pode proibir a pessoa de ser vacinada". Segundo a coordenadora, o lote de vacina contra a doença disponível no posto ontem acabou às 11 horas. Uma nova remessa de vacinas chegou à tarde e em pouco tempo restou quase a metade. "O estoque que sobrou talvez dure até amanhã (hoje)", disse.

As professoras Lilá Costa Barroso e Aline Correa, que irão viajar daqui a uma semana para um congresso em Brasília, estão preocupadas com a possibilidade de contrair febre amarela. Elas e mais 44 professores da caravana de Fortaleza também procuraram vacina no posto Paulo Marcelo. "Eu vim tomar por necessidade mesmo. Chegamos aqui de manhã e não tinha. Agora à tarde consegui tomar a vacina", disse Lilá. "Eu vim me esclarecer se precisava tomar. Mas não precisou. Tomei a vacina em 2001", afirmou Aline. A validade da vacina é de dez anos.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou ontem que não há surto epidêmico de febre amarela no Brasil. Na última segunda-feira, o Ministério remanejou 300 mil doses de vacinas dos estados do Amazonas, Minas Gerais e Paraná para o Distrito Federal.

E-MAIS

A febre amarela urbana foi erradicada no Brasil em 1942. O vírus, no entanto, continua a circular na natureza. O Ministério da Saúde, estados e municípios acompanham as mortes de macacos (epizootias), pois é um ação sentinela sobre a atuação do vírus da febre amarela nas matas.

Em dezembro do ano passado e neste mês de janeiro, houve um aumento significativo das notificações de suspeita da doença no estado de Goiás com a inclusão de 23 novos municípios em relação aos meses anteriores, alguns deles situados em municípios com grande fluxo de turismo nacional e internacional. No mesmo período, foram registradas também epizootias em 13 localidades do Distrito Federal, bem como em quatro municípios de Minas Gerais.

Fortaleza não é considerada área de risco da febre amarela, mas quem for viajar para áreas endêmicas e áreas com suspeita da doença deve tomar a vacina com dez dias de antecedência ao dia da viagem. Os 11 postos de saúde da Secretaria Executiva Regional II disponibilizam vacina à população. No Aeroporto Pinto Martins também há posto de vacinação.

O POVO entrou em contato com a Secretaria da Saúde do Município, depois das 17 horas, para ter acesso a quais outros postos de saúde oferecem a vacina contra a febre amarela em Fortaleza, mas a assessoria informou que não poderia mais dar a informação àquela hora e que hoje lançaria nota explicativa sobre o assunto.

SAIBA MAIS
A febre amarela é uma doença infecciosa, causada pelo vírus amarílico, que ataca o fígado e outros órgãos, podendo levar à morte. A transmissão ocorre, principalmente, em regiões de matas. No passado, também havia a ocorrência da febre amarela urbana, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Desde 1942 não há casos de febre amarela urbana no Brasil.

Nas matas, a febre amarela ocorre em macacos e os principais transmissores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que picam preferencialmente esses primatas. Os mosquitos vivem também nas vegetações à beira dos rios e picam o homem quando ele entra na mata. Caso o indivíduo não esteja vacinado, ele corre o risco de contrair a doença.

A maior incidência da doença acontece nos meses de janeiro a abril, período das chuvas. Nessa época, há um aumento da quantidade do mosquito transmissor e, por coincidir com a época de férias, muitos turistas não vacinados se deslocam para regiões de risco. As atividades agrícolas realizadas no período também podem levar um número maior de pessoas às áreas com risco de transmissão.

A vacina contra a febre amarela pode ser tomada a partir dos nove meses de idade. A recomendação de vacinação é para quem vai viajar para as áreas de risco ou quem não tenha se vacinado nos últimos 10 anos e mora nessas localidades.

A DOENÇA

SINTOMAS

Primeira fase: de três a seis dias após ser infectada, a pessoa sente febre, calafrios, dor nas articulações, prostração, náuseas e vômitos.

Fase avançada: em suas formas fulminantes, compromete o fígado e os rins, além de provocar hemorragias, que podem causar morte.

TRATAMENTO
Não há medicamento específico. O paciente deve ser hospitalizado, ficar em repouso e fazer a reposição de líqüidos e das perdas sangüíneas, se necessário.

CONTRA-INDICAÇÕES DA VACINA
Crianças com menos de seis meses de idade.

Pessoas com fragilidade transitória ou permanente no sistema imunológico, induzida por doenças como a aids ou por tratamentos tipo radioterapia.

Reações anafiláticas relacionadas a ovo e seus derivados e outros componentes da vacina.

Mulheres grávidas devem consultar um médico antes de decidir tomar a vacina

FONTE: Ministério da Saúde

RISCOS
Áreas de Risco (mantém circulação do vírus na natureza)
Região Norte e Centro Oeste
Maranhão e Minas Gerais

Risco Potencial
Sul da Bahia e Espírito Santo

Áreas de Transição
Oeste do Piauí, São Paulo, Paraná e Santa Catarina

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